A mesma praça, o mesmo poste

Nunca fui adepto do tal EU JÁ SABIA. Isso demonstra arrogância e covardia, dito por quem se define como dono da verdade. Mas era inegável, para quem conhece um pouquinho de futebol, que jogando como jogava, o time do Avaí não chegaria. Ou seria muito improvável. Temos um grupo de jogadores birrentos, solidários com seu próprio umbigo e incapazes de perceber as dificuldades do clube e a importância de suas conquistas.

É preciso dizer que é deles que se espera algo, não dos quero-queros. Seu comprometimento é muito abaixo do profissional, talvez beirando o amadorismo, porque um time amador ainda joga alguma bola, mesmo em campos enlameados, chuteiras sem cadarço e bola vazia. E comprometimento não é apenas aquele dentro das quatro linhas, mas fora dele também, algo que tu já desconfiavas, não é mesmo.

Claro que é possível uma classificação. Evidentemente que um ou dois resultados positivos e a coisa muda. Há muitas chances. Mas, confesso, e isso me dói dizer, a toalha já está na ponta dos dedos. Exulto, fragorosamente, quem ainda acredita e defenda seu ponto de vista de que vamos subir. Eu, não mais.

A explicação do fracasso do Avaí é muito simples: falta de compromisso (e a partir daí podemos levantar todas as teses das mais sensatas às mais estapafúrdias relacionadas a isso) aliado à incapacidade de reação. Ou seja, quando não se quer e não se tem força para virar um resultado negativo, não se chega, não se consegue. Entra-se numa inércia de espiral descendente.

A frustração só é amenizada porque já vimos este filme, de cor e salteado e de trás pra frente, uma vez que os atores são praticamente os mesmos. Nem vou fazer terra arrasada por isso.

Ora, as histórias de salários atrasados, desde o ano passado, são conversas pra boi dormir, está provado isso. A tal da herança maldita, levantada por boçais donos da verdade, é mais uma ruminação estúpida. A diretoria atual não poupou esforços, contra muitas adversidades, para dar condições ao elenco. E deu, naquilo que era possível e até a contratação de Geninho foi uma demonstração de força, de quem queria chegar. Mas, como já dissemos aqui por diversas vezes, dependíamos dos jogadores e eles, mais uma vez, não quiseram.

– Ah, mas o nosso elenco é muito limitado!

Esse é o lugar-comum dito por quem vê a superfície da água e acha que viu o fundo do mar. Sim, tão limitado quanto o de todos os outros clubes desta série B. Não vejo nenhum time top, nenhum jogador fora de série, nenhum treinador gênio capazes de nos encher os olhos e a gente dizer: “esse é o time que eu queria, o jogador que eu desejo, o treinador que me dará alegrias”.

Hémerson Maria? PC Gusmão? Guto Ferreira? Joel Santana?

No time da Ponte Preta temos como destaques Rafa Costa e Fernando Bob. Opa, que bacana! Sabes quem são?

No time da Luverdense, que nos massacrou, o camisa dez é Felipe Alves, que não jogou por força de contrato. Nossa! Que sorte a nossa!

O JEC tem o bom meia Marcelo Costa. É, poderia ser aproveitado aqui. Mas já tivemos meias semelhantes a ele desfilando na Ressacada. Só pra saber, Camilo, que hoje é destaque na Chapecoense, jogou com a camisa que seria a dez do Leão. Alguém sabe quem é e o que fez no Avaí?

O Ceará tem Magno Alves, talvez o único jogador com algum cacife por aí nesta série B. Mas quem lhe dá a bola pra fazer gols? Nikão, Felipe Amorim. Pois é.

E aí temos o Vasco da Gama, que chega por força política e algum dinheiro em caixa. Tem Kléber no ataque, um mala que vive mais em confusão do que fazendo gols. Vai, procura a escalação do Vasco. Tem um Guiñazu, Maxi Rodrigues, tem até um Guilherme Biteco. Jogariam no Avaí? Tens certeza?

E aí vamos para nosso elenco. Qual nosso destaque? Marquinhos Santos. Calma, pode ir ali tomar uma água. Deu? Vamos lá. Eduardo Costa. Sério? Tome o segundo gole. No gol, Vagner, o melhor goleiro do Paulistão, mas que toma gols como se minha avó, manca, estive debaixo das traves. Héber no ataque. Tens certeza que ainda acreditas? Entendesse o problema? Bocão e Marrone, coitados, são crucificados por meia dúzia de cheiradores de cueca dos ídolos, que põem neles a obrigatoriedade de decidir jogos. Mas são jogadores que compunham qualquer dos outros times da série B, com mais ou menor desempenho, vá saber.

Ah, e temos também o Jurerê, o Kobrasol e a Rua Menino Deus. Mas, peraí, estes não são jogadores. São, sim, e andam batendo um bolão, mô nego, tu que não sabes.

O fato é que, o segundo clube que mais jogou a série B na vida (o primeiro é o Ceará) está classificado pra segundona por mais uma temporada. O acesso estava logo ali, era só se comprometer um pouquinho mais. E conseguimos perder até a capacidade de nos indignar. Como eu não queria ter razão.

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4 comentários sobre “A mesma praça, o mesmo poste

  1. Alexandre, concordo plenamente contigo. De minha parte, desde a volta do “volante fixo parado”, contra o Náutico, fiquei desconfiado. Pôxa, parece óbvio: Revson e Júlio César, pelo menos, são esforçados. O glorioso volante fixo parado marca com os olhos e é “imersível”!. E mais: – Marrone na esquerda estava, sim, dando conta do recado. Também não por coincidência ele foi sacado nos últimos jogos… O problema não é perder, é a forma como se perde. E, vamos dizer, já vimos esse filme ano passado. Eu gostaria que o Avaí ganhasse os jogos que faltam, óbvio. Mas, para quem entende um pouquinho de futebol e acompanha os jogos, sabe que isso é improvável. E por uma razão óbvia: – falta vontade, só isso!
    Helton

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