Quem quer jogar?

A pergunta aí foi feita pelo técnico Geninho no vestiário número 1 da Ressacada aos guerreiros azurras depois da lavada tomada diante do JEC. E ninguém soube responder.

Todos sabem que só depende do Avaí, ou melhor, dos jogadores do Avaí sair dessa inhaca em que se meteram. Quem já bateu uma bolinha ali, no campinho pelado da rua, com duas traves marcadas com chinelo, sabe disso.

Há quem culpe diretores e empresários pelo mau desempenho de um clube, lugar-comum de dez dentre dez críticos do futebol. Olha, eu que acompanhei de perto a incomodação que é administrar futebol, afirmo que as culpas para aí canalizadas são injustas. Em grande parte, claro. Ou motivadas por ignorância, de ignorar, desconhecer. O sujeito à frente de um clube pode até ter pouco traquejo com o mundo da bola, uma toupeira gabaritada. Mas não vai atirar no próprio pé, dele mesmo, de propósito.

– Ai, eu adoro se ferrar! – diria esse dirigente alvo das críticas.

Ao contratar um grupo de jogadores o diretor não vai chamar um perna de pau de propósito. E ele, também, muitas vezes, não tem domínio de todo o plantel existente nos quatro cantos do universo. Estou falando de 9 dentre 10 dirigentes de futebol no cenário brasileiro. Por isso, chamam um empresário da bola para auxiliá-los na montagem do elenco. E, de acordo com o senso comum do futebol, ao se abrir críticas ignorantes, o tal empresário seria aquele sujeito que rasga dinheiro. É, a forma, o desenrolar da premissa leva a se pensar nisso.

O cabra põe para jogar o peladeiro mais nó cego que existe, que é para o time perder, não chegar a lugar algum e ele não conseguir negociar este jogador mais tarde. A condução do pensamento é essa mesma, por incrível que pareça. Cabe na cabeça de alguém, alguém lúcido, claro, imaginar que se possa fazer isso?

O futebol em nosso país não é muito dado a planejamentos, sabemos disso. Quem sobressai? Aquele conjunto de jogadores que resolveu jogar. Uma, duas, no máximo três temporadas. Mas quando não ganha? É culpa de todas essas coisas.

Aí vêm as mandingas esotéricas. Clama-se por santos, rezas e sobrenaturais de Almeida. A mesma camisa usada em todos os jogos. A cueca com um furo no fiofó. O amigo (primo/cunhado/irmão/tio/vizinho), que é supostamente pé frio, é trancafiado num container no Congo, que é para não trazer azar ao time. A entrada com o pé direito na subida das arquibancadas. O jogador que olha para o lado e não para os companheiros na hora do gol é marcado com alfinete na foto. Há ainda o histórico de juízes malandros que não podem apitar. As estatísticas que apontam nunca se ter ganhado daquele tal time da próxima rodada. A santa adorada como uma cura para doença grave.

O ateuzinho aqui nem chega perto de algumas dessas coisas, mas acaba acompanhando que é para não parecer pedante.

Tem a melhor, história de ajuntar torcedores em fases dramáticas e levá-los a um treino, para dar aquela levantada no astral da marmanjada.

– Não pode vaiar num treino, hein! – recomenda o chefe de torcida, com a mesma seriedade de um noivo não poder ver a noiva, vestida de noiva, horas antes do casório.

Assim, as teses de que as culpas saem de fora dos gramados carecem de mais argumentos. O tal do “é um somatório de coisas” é mais raso que as represas em São Paulo.

E se a gente disser:

– Pô, o fulano não quer jogar. O rapaz ali caiu na farra. O jogadô tal não vai com uscornus do outro. – É porque se quer tumultuar o ambiente.

Então, quando vejo jogadores tarimbados, com passagem em vários clubes, com carreira já encaminhada, tendo a chance de se consagrar, levando bola nas costas por bobeiras homéricas, chego à conclusão que o sujeito não quer. Não há qualidade/limitação que nos ensine as responsabilidades. E, às vezes, nem é proposital. É que o sujeito não quer mesmo, está em outra, conheceu uma grama mais verdinha, promoção de cerveja, enfim, todas as desculpa existem.

Tudo isso a gente já sabe e não tem a menor ideia de como resolver. E confesso que já estou de saco cheio.

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