O silêncio dos quase (nada) inocentes

Jogadores de futebol têm um único e inalienável objetivo na vida, que é jogar futebol. Simples e objetivo assim. A contestação de suas atitudes, porém, principalmente as extra-campo, é necessária.

É provável que essa análise seja o suficiente para irritar mentalidades toscas, tacanhas e habituadas a tomar as coisas ao pé da letra, sem ao menos se darem conta de que o mundo do futebol é uma enorme e absurda diversão. E cravado de metáforas. Falar, criticar ou discutir a vida de jogadores de futebol revela-nos, ainda mais, a necessidade de sempre querer o melhor para o time ao qual torcemos. É a imperiosa busca por sermos mais e maiores, perfeitos e indiscutíveis.

Seria muito agradável ir a um estádio, assistir a nosso time perdendo feio e de goleada, com seus jogadores trazendo seus problemas pessoais para o gramado, andando e dando de ombros para a derrota avassaladora e, ao final, ainda amenizarmos tudo e agradecermos aos céus de todos os deuses e crenças por termos tal jogador em nosso time. Seria o melhor dos mundos se os torcedores de futebol pudessem agir assim, sem se importar com nada, e apenas admitindo que perder, do jeito que apontei, é bom.

– Que legal perdermos de goleada, sofrendo uma lavada histórica, sem que nossos melhores jogadores tenham levantado um dedo para evitar isso – diria este torcedor amenizado por sua idolatria e se irritando tolamente por haver dúvidas nas atitudes dos jogadores.

Pensem na falta de stress. Na saúde física ou mental. Um “pouco me importo” especial e admirável. Seríamos a espécie perfeita, blasé, que não se comove com nada.

Mas o mundo do futebol não é assim. O mundo do futebol é composto por vários tipos, formas e definições de torcedores, humanos em sua essência. Com erros e defeitos, acertos e topadas.

As reflexões que se fez quanto ao comportamento para lá de estranho dos jogadores do Avaí, aos finais de 2013, foram devidamente necessárias. E definitivamente condizentes e tão duras proporcionalmente àquilo que se assistiu. O Avaí que nos acostumamos a ver desde nossa mais tenra idade foi massacrado. E não por adversários tarimbados, por gigantes do futebol mundial, por sumidades da bola. Foi por nós, mesmos, por nossos próprios jogadores. Porque são eles que executam, são os que dão a cara a tapa e são os que definem a vida de um clube, com as dificuldades inerentes e as conquistas e glórias advindas. Portanto, é para eles que todos os olhos são apontados, na alegria e na tristeza.

E o elogio que se DEVE fazer hoje, quando vemos nosso time se impondo com raça e denodo, como nos bons tempos, só pode existir se for permitida aquela crítica. Porque, se o mundo não é essa maravilha e o do futebol é elevado às máximas potências, e se buscamos atingir a perfeição, viver mascarando isso é para mentirosos e cínicos.

Felizmente, nunca será o meu caso.

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