A apreciável leveza da Ressacada

As redes sociais, na tarde desta sexta-feira, aqui em Florianópolis, estavam fritando. Assando cuecas e calcinhas (e outros objetos e partes anatômicas) no mármore de Hades. Tudo porque foi anunciado que o jogador Cléber Santana estava de malas prontas para o Criciúma Esporte Clube. Como não uso meu blog para mandar recadinhos a jornalistas, com o intuito de receber agradinhos de volta e bombar este espaço, só fiquei sabendo da transação assim, de supetão, contado por um passarinho chamado twitter. E que passarinho. Foi bonito de se ver alguns descabelamentos na defesa do jogador, das melhores comédias pastelão do cinema.

Cléber Santana chegou ao Avaí, no ano de 2012, na condição de jogador “doado” pelos outros. Não seria usado pelo Atlético Paranaense, por deficiência técnica (sim, eu tenho memória!), e muito menos no São Paulo, dono de seu contrato à época, chegando aqui para esquentar a carreira. Tinha algum cacife por ter jogado na Europa, mas a desconfiança era maior que a exaltação.

No entanto, dois ou três jogos depois, ele se firmou no time e consolidou uma das melhores contratações que o Avaí havia feito em muito tempo. Jogou e gastou a bola, tanto no estadual daquele ano, onde na final arrasou com o time doladelá, bem como em boa parte da série B. E ficou marcado na galeria de ídolos avaianos. Depois, por força de contrato, teve que ser transferido para o Flamengo, cujas atuações no clube carioca deixaram a desejar. Pergunte a algum flamenguista se o quer de volta.

Entretanto, a torcida avaiana, por sua vez, não via a hora de ter seu mais recente craque de volta. Mas estava difícil.

Ocorre que, por uma conjunção de fatores e arranjos muito bem articulados pelo ex-dirigente avaiano Julio Rondinelli, nada mais, nada menos que Marquinhos Santos e Cléber Santana poderiam jogar juntos no Avaí. E, mais, junto a isso, o Avaí havia acabado de contratar um outro jogador de destaque no futebol brasileiro e mundial, Eduardo Costa. Olha só que maravilha! De repente, dois dos maiores ídolos avaianos dos últimos anos, além de um outro de renome, poderiam jogar juntos, no mesmo time, levando nosso clube a patamares nunca dantes imaginados. Os avaianos articulamos títulos variados, campanhas fabulosas, jogos memoráveis, tudo porque teríamos num só time um sonho sonhado há muito tempo. Era só um ajustezinho aqui, outro ali e a coisa deslancharia.

Mas não deslanchou.

A realidade nos foi cruel. As bruxas pousaram na Ressacada e a coisa degringolou.

Problemas financeiros, choques de vaidades, aliados a uma produtividade vergonhosa do time avaiano e até greve de jogadores levaram ao que todos nós já sabemos: um fracasso na série B de 2013 e uma campanha medíocre no estadual de 2014 e no início da série B do mesmo ano. A propósito, Cléber Santana recebeu o prêmio de melhor jogador do Ônix do Delfim a la Messi, ou seja, mesmo sem ter jogado bulhufas.

As histórias de 2013/2014 nos reservaram decepções. Todos foram responsáveis, é bom que se diga. Todos estiveram envolvidos. Todos os jogadores, incluindo os senhores Cléber Santana, Marquinhos Santos e Eduardo Costa, moços criados e talhados no mundo do futebol dos quais se esperava uma reviravolta, não só estavam no grupo, como seu rendimento ficou abaixo até do insignificante, comportando-se como jogadores no limite dos piores. Não era só pelos salários, evidentemente. Em Joinville e em Criciúma há dois senhores que sabem exatamente o que aconteceu. E que não me apareça nem sabichão ou sabichona a querer defender cobras e capivaras.

Agora, com a possibilidade de Cléber Santana sair, suspeita-se que os vestiários da Ressacada se tornem mais leves. De minha parte, que gosto de bom futebol, torço para que os jogadores que sobraram voltem a nos brindar com boas atuações. Estamos cansados de tanta mediocridade baseada em exultação de vaidades. Minha lógica de ir para a Ressacada é encontrar os amigos, beber uma cervejinha e assistir a um bom jogo, recheado de gols do Leão. Qualquer coisa diferente disso me incomoda. E quando jogadores do meu time, por motivos os mais variados, fazem corpo mole e detonam uma campanha numa competição, vão arrumar uma briga das piores imaginadas.

Assim, com Cléber saindo e as coisas melhorando, será ótimo e baterei palmas. Se continuar como antes, a barca tem lugar para outros, mesmo que sejam os valorizados por tansos de aluguel, os tais medalhões.

Anúncios

2 comentários sobre “A apreciável leveza da Ressacada

  1. Alexandre, teu texto está muito bom! Preciso e direto. Cléber jogou muito nos jogos finais de 2012, sem dúvida. Mas, quem acompanha de verdade os jogos do Avaí sabe (e até ele mesmo sabe!), que o rendimento do mesmo caiu muito desde meados do ano passado. Do que tenho visto neste ano, ele não é sequer sombra do jogador de 2012! Não é ofensa nenhuma afirmar isso. Não sei porque tanto chororô e críticas à diretoria… Como se o Avaí fosse o Real Madrid ou o Barcelona (ou seja, como se estivesse nadando em euros ou dólares…). Vida que segue. E que aqueles que ficaram e os que vierem façam apenas uma coisa: – corram em campo, esforcem-se e lutem, mesmo nas derrotas. Simples assim. Todos sabemos das limitações técnicas atuais mas, dado o nível geral da série B, com um pouquinho de organização e vontade, quem sabe…

    Curtir

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s