A moeda da chegada

Três coisas conduzem um time de futebol a uma conquista memorável. Duas delas fazem parte dos comentários diários entre torcedores, comentaristas, especialistas de botecos e ficam na memória de muita gente durante vários anos. São o desempenho e os resultados.

Podem parecer, à vista desarmada, que são coisas comuns e que concorrem juntas, uma ao lado ou em seguida à outra. Quem acompanha fielmente o futebol sabe que não é bem assim. Um time pode jogar bem, ter bom desempenho, mas seus resultados podem ser pífios. Ou ter bons resultados, galopar suavemente por rodadas a fio, mas jogar partidas duras e difíceis de se assistir. Preciso dar exemplos? Ora, basta puxar pela memória que os temos à mancheia. Ao longo da história do futebol o que vale é bola na rede.

A regra, assim, não é uma equação exata. Ao final, o time bom é aquele que é vencedor. E, logicamente, o time ruim é o perdedor, independente de resultados ou performances.

Mas há uma terceira coisa, a que realmente faz um time ultrapassar a linha de chegada em primeiro lugar: o investimento. Dinheiro no bolso, as verdinhas, a doleta ao alcance dos valorosos jogadores. Mas eu não falo de pagamento de salários em dia, de dinheiro na conta sem um atraso sequer. Grandes clubes ao redor do mundo pagam religiosamente em dia e nem todos chegam.

A bufunfa tem que cair estrategicamente no momento exato. No futebol moderno só chega o time cuja diretoria põe os caraminguás nas mãos dos guerreiros na reta final. Claro que um bom desempenho e resultados positivos ao longo da campanha ajudam, mas só chega realmente quem recebe o níquel na hora do arremate decisivo.

Nos últimos dez anos, para usar uma referência recente e ser legalzinho com o torcedor avaiano, os melhores times que conhecemos foram os de 2004 e 2008.

Em 2004 até que houve bons resultados, um desempenho satisfatório e um time equilibrado. E o torcedor avaiano lembra muito bem que ficamos à beira do acesso por um gol, um golzinho apenas. Jogamos bem e não chegamos. Tínhamos tudo para estarmos na Série A de 2005 e ficamos no caminho. O que faltou, então, para se chegar? A remuneração no dia do jogo. Um agrado, um alento benfazejo que deixasse aquele time pronto para sair daquela partida contra o Fortaleza com o acesso nas mãos. Foi o jogo do quase deu. E ficou conhecido como um time fracassado.

Em 2008, por sua vez, tivemos outra campanha de encher os olhos. Bons resultados, bom desempenho, e um bom investimento quando se precisou, na reta final. Além do mais, o parceiro à época garantiu bons contratos logo adiante para a maioria daqueles jogadores, o que nos rendeu o famoso desmanche de 2010 e a cobrança das dívidas por termos vendido a alma para o diabo naquele momento. Lembrando-se, hoje, daquele time, percebemos que teve altos e baixos, mas sabe-se que foi agraciado com um carinho cifrônico quando devia, no momento exato, na reta final. Ali foi o fator decisivo para termos obtido o acesso.

Agora temos o ano de 2014 com sobressaltos, sustos e dissabores. Mas, também, com largos e pontuais  sorrisos. Todavia, há uma sensação agradável, ainda que com desconfianças. Parece que algo nos reserva boas surpresas. É certo que andamos mal das pernas dentro do campo. É certo que já vendemos almoço, janta e até café da manhã para manter o clube num papel dentro do aceitável. Todavia, alguma coisa no horizonte nos acena com algo bom. Percebe-se que há uma certeza no ar a nos fazer acreditar que vamos embalar.

Se os resultados deixam dúvidas em certos momentos e, em outros, dão alguma alegria, é bom nos precavermos. Se o desempenho faz-nos emudecer, na arquibancada, não acreditando que um jogador avaiano seja capaz de tanta mediocridade, por outro lado, vamos apoiando como der. Mas se as notícias de que os investimentos necessários vão chegar no momento da reta final, então é bom preparar a festa.

Nada como um dindim abençoado para solucionar conflitos e dar títulos a um time de guerreiros, né, mô quirido? É só aguardar.

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