Uma Gaza em nosso quintal

Houve um tempo, no Velho Oeste americano, onde a lei era feita por quem tinha o revólver maior ou a valentia mais arrebatadora. Os famosos filmes de Hollywood de faroeste retratam isso muito bem: lugares sem lei, homens raivosos, ódio difundido e tudo decidido na bala. Bastava um olhar mal direcionado, uma desavença sem fim e a vingança se espalhava.

Nos dias atuais, os países governados por chefes tribais usam o olho por olho para decidir passagens, caminhos e vidas. Não é a lei que impera, mas a decisão de seres humanos que são supostamente mais fortes ou que tenham mais poderes de provocar danos e mortes em outros seres humanos. A conduta com garantias de não punição. Israel, por exemplo, comete um genocídio a cada semana por saber que os organismos legisladores mundiais não têm coragem de puni-los.

E assim, é, também, com torcidas organizadas no futebol. No esporte que existe para a pura competição e divertimento, vez por outra transforma estádios, bares e estradas em praças de guerra.

No jogo deste sábado entre Avaí e Joinville, na cidade do Norte de Santa Catarina, o time da Capital venceu. Foi mais competente e saiu vitorioso. Poderia ter sido ao contrário e o time do litoral voltaria para casa com uma derrota. Tudo normal, natural e dentro do esperado. O futebol é assim, alguém perde, alguém ganha. Haveria comentários sobre o desempenho dos jogadores, erros de arbitragem, possibilidades, jogadas mal feitas e coisas assim. A paixão pelo esporte em evidência.

Mas, no caminho de volta, torcedores do Avaí foram atacados e agredidos por organizadas do JEC. A rivalidade transformada em ódio. E isso não exime ninguém, porque poderia perfeitamente ter sido ao contrário. Nós sabemos disso.

Quer a estupidez humana que ainda temos que largar o futebol, o divertimento e a competição e tratar de assuntos policiais. Que ainda tenhamos que nos incomodar com agressões, ataques a torcedores, tocaias, gente ferida, sangue sujando camisas. Vamos esquecer como foi feito o gol ou uma defesa espetacular de um goleiro e tentar entender até quando vai a violência fora dos gramados. Vamos combinar com os amigos um encontro para assistir ao próximo jogo de nosso time fora de casa em algum lugar que não seja no estádio adversário, porque andar fora da nossa cidade com camisas de futebol há riscos. Até de morte. E isso é em qualquer lugar, seja aqui ou noutra cidade.

Não vou aqui defender essa ou aquela torcida organizada. Não vou acusar a torcida do meu time ou a dos adversários. Todas não prestam! Todas devem ser banidas do futebol. Todas emporcalham este esporte que move paixões e arrebata a todos. Mas que perde o encanto por estes atos covardes.

Enquanto isso, enquanto mais uma vez nós, cidadãos comuns, lamentamos e discutimos até quando isso vai, ou quando isso vai acabar, as autoridades constituídas, polícia, judiciário, federações e quejandos pouco ou nada fazem para punir os responsáveis. Pouco ou nada fazem para acabar com a existência das organizadas no futebol. Pouco ou nada fazer paa coibir os ataques covardes relacionados com o futebol.

São omissos, hipócritas, incompetentes e coniventes. Sim, coniventes, porque quem permite que a violência se dissemine desse jeito, que não toma uma atitude para afastar os bandidos do mundo do futebol está permitindo que isso se mantenha assim, do mesmo jeito. Mas, ora bolas, as TVs não podem deixar de transmitir seus jogos por causa dos contratos milionários dos patrocinadores. Os clubes devem manter suas organizadas, para que fiquem em paz com as torcidas. As federações nem se metem, uma vez que isso é assunto de polícia. E a polícia? É melhor não comentar.

Mais uma página suja que deve ser virada por quem deveria agir. E será esquecida até o próximo ataque num jogo qualquer na sua região.

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