Quando as luzes se apagam

Os torcedores avaianos ligados nas redes sociais devem ter notado a tolice que foi difundida ontem, segunda-feira, a respeito da tal doação do jogador Marquinhos Santos. Daquelas coisas ridículas que doem o carrinho de tanto rir. Porque não pode ser encarado como outra coisa a não ser algo hilário e risível querer honrarias e glórias a um jogador quando ele se doa, se entrega em seu time de futebol. Ou seja, quando faz exatamente aquilo para o qual foi contratado.

Quem conhece a realidade do nosso clube sabe das nossas dificuldades. Não é novidade para ninguém, envolvido com isso, o quanto se paga almoço para pagar janta. Às vezes, não temos nem almoço e nem janta. Sequer um pãozinho amanhecido para saciar a fome. Os torcedores avaianos que tem comparecido, os que não correram, os que não vão só na boa, os que não abandonam o barco, tem a exata noção de tudo isso. Sabem como é dura a nossa vida. Sabem o quanto é difícil nos mantermos aí, no cenário do combalido futebol nacional, expondo nossas glórias e nossas amarguras.

Não temos vida fácil. E quando houve a bonança, logo depois o horizonte se escureceu e tivemos que pagar o preço da capa de chuva. Das pessoas que escrevem por aí, eu fui o único que acompanhou de perto todas essas fases do Avaí e digo, sem erro, que a coisa não é fácil. Aliás, está muito difícil.

Então, quando se contrata um jogador, de qualquer nível, para vir jogar no Avaí, se espera que ele desempenhe algo parecido com o futebol. A sua conduta nos treinamentos, a sua postura fora dos gramados e a sua perfomance dentro do campo levarão o clube a obter benefícios lá na frente. Não sou eu, o torcedor, não é o dirigente que faremos os gols, que suaremos a camisa ou desfilaremos nossas conquistas no gramado. São eles, os jogadores, a linha de frente de qualquer clube de futebol no mundo. É deles que se espera, ao menos, um calção sujo após uma partida.

Mas, quando o jogador se identifica com o clube, quando conhece as suas dificuldades, quando é louvado por sua torcida, e ainda assim, baseado em seu egoísmo, ele pensa mais em sua individualidade e esquece todo o coletivo à sua volta, nessa hora não terá mais o nosso respeito. Pelo menos não o meu. Poderemos voltar a torcer por suas ações, poderemos aplaudi-lo quando formos vitoriosos, mas o pezinho atrás ficará esticado.

A vida dá voltas e certamente poderemos passar pela mesma estrada novamente.

Torço muito por Marquinhos Santos. E já me indispus com muita gente quando o criticavam. Mas hoje, infelizmente, reconheço que sua perfomance no clube é ridícula. O seu diferencial, aquilo que o tornou ídolo, está apagado. Hoje é um jogador comum, dos muitos que há no futebol, cuja única diferença é o nome nas páginas da história. Suas luzes se apagaram.

Sei que pode mais, sei de sua capacidade, e espero que isso volte a aflorar. Para o bem de nosso futebol.

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