Futebol brasileiro e a vontade de fazer errado

O futebol brasileiro passou por agruras desnecessárias na última Copa do Mundo. Na ótima Copa do Mundo. E quando falo assim, penso no futebol, tão-somente, naquela rotina de a gente se aprontar para ir a um estádio, encontrar os amigos, tomar uma cervejinha, sentar na arquibancada e ver, no gramado, dois times se organizarem e fazer gols. Ou nos proporcionar bons momentos, alguns divertidos, outros emocionantes, e certamente muitos inesquecíveis. O futebol não pode ser uma válvula de escape, de se descontar numa arquibancada aquilo que não resolvemos fora do estádio.

É assim que vejo o futebol.

Quando digo que passamos por agruras desnecessárias e exacerbamos mazelas, é porque para esta Copa do Mundo, evento feito por nós, brasileiros, alguns palhaços travestidos de intelectuais trataram de derramar um ódio murrinha sobre o evento em si, baseados numa concepção política enviesada e tola. Proporcionaram momentos ridículos e de pura estupidez.

Quando sento numa arquibancada para assistir a uma partida de futebol procuro me inteirar do esquema tático, das armações de jogadas, do que pode ser feito para um time melhorar uma estratégia e vibro quando vencemos. Ou me incomodo quando perdemos. Não é alienação, mas permissão para o divertimento.

Por isso me indignei quando os jogadores do Avaí fizeram greve por causa dos maus momentos financeiros do clube. E me senti irritado quando uma oposição tacanha que teima em querer espaço no Brasil achou que fazer estádios ou organizar uma Copa impediria de se construir hospitais ou estabelecer um sistema educacional competente. Os canais misturados, evidentemente, nos levaram a resultados desastrosos, cada qual do seu jeito.

O discurso polido e esterilizado de quem acha que entende de política, sentado numa arquibancada, é chato e inconsequente. A inclusão de política dentro do gramado nunca foi uma boa opção para se obter resultados lá fora. São mundos que não se misturam.

Dessa forma, vejo com preocupação extremada a continuação da atual estrutura da CBF, e todos os seus penduricalhos, extremamente política, no comando do futebol brasileiro. Se os inconsequentes misturam futebol e discurso político do lado de fora, a CBF mexe com interesses que passam longe do futebol jogado no campo. A mudança, portanto, que deve haver não é apenas de nomes e cargos, mas de toda a instituição. Uma mudança de conceitos. Uma mudança de estratégias e de postura.

Não vejo avanços se isso continuar assim. Não vejo possibilidades. A própria imprensa esportiva de nosso país, que gosta de definir condutas e diretrizes, só contesta o Dunga como próximo técnico da seleção porque ele não faz parte da panelinha.

Talvez, a única probabilidade de mudança presumida seria uma não classificação da seleção brasileira para a próxima Copa, caracterizando-se o desastre total e absoluto de nosso futebol. Seria uma tragédia. O futebol jogado no campo em nosso país chegaria ao fundo do poço. Mas quem sabe pudesse haver, aí, uma real tentativa de mudanças.

Não torço para isso, muito pelo contrário, mas a se continuar assim, o cenário é perfeitamente plausível. Uma pena!

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