A má vontade que nos acolhe

Quando se tem má vontade com alguma coisa, seja ela uma instituição, um evento ou mesmo com uma pessoa, a conduta básica e natural é alimentar de erros e problemas o alvo de nossa indisposição. Normalmente, não se releva nada e qualquer assunto envolvido é super dimensionado, que é para dar razão à tese contrária ao nosso objeto de desprazer. Todos nós, humanos, já sentimos ódio de alguma coisa e exacerbamos a nossa má vontade contra aquilo sem problema algum.

O caso específico que quero focar é a história da penhora da Ressacada, alardeada aos quatro ventos e duas brisas, primeiro pela mídia, depois por torcedores rivais e, em seguida, por meia dúzia de bocas-moles que se dizem torcedores do Avaí.

Bom, pra começo de conversa, qualquer insinuação que denigra a imagem do Avaí Futebol Clube por parte de nossos rivais é normal. Faz parte da disputa. É marcação de território. Não me atinge e entra por esse e sai por aquele. Acharia estranho um torcedor alvinegro nos elogiar. Portanto, torcedores do Figueira repercutindo a situação é piada mais fraca que a do Zorra Total.

O problema é quando isso parte da mídia, da imprensa que cobre o futebol da Capital, de jornalistas cuja primeira recomendação nos bancos de escola (quando freqüentam!) é a isenção e o balancear as duas partes. Qualquer estúpido que cursa uma faculdade de jornalismo sabe disso e, inclusive, no dia de sua formatura, presta juramento com bracinho estendido e olhinhos úmidos, repetindo estas palavras.

O Avaí tem problemas financeiros decorrentes de ações na justiça do trabalho. Todo mundo sabe disso. Jogadores demitidos sem justa causa, cujo contrato é baseado na CLT, buscam na Dona Justa o ressarcimento aos quais têm direito. Não vou entrar no mérito se têm razões ou não e nem se as demissões foram de acordo com sua produtividade. Mas, é da natureza jurídica do trabalho em nosso país tais processos. O que o Avaí fez, portanto, baseado na lei, foi oferecer garantias de que os pagamentos sairiam (e que vão sair), de maneira ativa e transparente, como convém a qualquer empresa, instituição ou um clube de futebol comandado por gente equilibrada e honesta.

Mas, o que fez a nossa imprensa, baseada naquela má vontade que mencionei acima? Escreveu nas primeiras páginas que o Avaí Futebol Clube estava penhorando a Ressacada, numa insinuação atroz, leviana e infeliz. Eu sei, também, as palavras de baixo calão para isso, mas prefiro me conter. Movidos por uma murrinha encruada e fétida que purga durante muitos anos, a imprensa esportiva da Capital fez mais uma das suas, o que pode ser chamado de, no mínimo, desonestidade intelectual. Típica matéria de quem tem ódio e só quer abrir mais ainda as feridas.

Todavia, o pior ainda estava por vir. Se já não bastasse a má vontade dos formadores de opinião, alguns supostos torcedores do Avaí trataram de duvidar das intenções da diretoria do clube e repercutiram com verbos e predicados todas as matérias onde o Avaí era jogado mais uma vez na sarjeta. A velha frase “se colar, colou”, referindo-se insanamente à nota da assessoria de imprensa do clube, foi largada como aquilo que a vaca faz depois de comer uma horta de capim. Gente que até vai para a Ressacada exultou com esgares voluptuosos a situação como um todo. Cabeças coloridas, cabeças de vento e cabeças de cardoza acharam que poderiam tripudiar sobre o clube para o qual dizem torcer.

Digo isso até cansar o carrinho: uma coisa é a crítica, outra é trazer à baila todos os fatos ruins, que denigram nossa imagem, porque tem que dizer algo e não pode esconder.  Quer parecer sabidão e dono da verdade? Pendure uma melancia no pescoço ou alugue um caminhão de bombeiros e saia por aí gritando feito louco. 

Pior é que quando a gente começa a falar sério, os caras vem com os problemas sexuais dos gansos albinos anões da Armênia. Desviam o assunto. Não é com eles. Mas eu sei que eles são legais. Vivem dando conselhos cheios de noção e razão. O catupiry no meu coração escorre de tanta sentimento. Eles dizem que querem o bem do Avaí. Não precisamos de guardiões e nem de engenheiros de obras prontas a nos dizer o que fazer, tampouco apontar os defeitos, tudo isso com aquela baba gosmenta a dizer que já sabia, ou sabe como fazer.

Essa história toda me lembra daquela fábula do homem se afogando no lago.

Um sujeito aproxima-se da beira de um lago, escorrega e cai dentro dele. Como é profundo, debate-se com medo de morrer afogado. Um outro que vai passando observa o coitado ali, no desespero, a pedir socorro, mas vê uma plaquinha onde está escrito: é proibido nadar no lago. Movido de uma razão atroz, ele vira as costas e diz: quem mandou entrar onde não devia?

Como disse acima, todos temos má vontade com alguma coisa. Há alguns que confessam e assumem. Outros são hipócritas.

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