Falta começar do começo

Passado o evento da espetacular Copa do Mundo feita no Brasil, retornamos ao futebol da terra brasilis, exposto e desgastado ao mundo graças ao desempenho pífio de nossa seleção. É preciso dizer que, antes de se trocar nomes, é necessário urgentemente se mudar conceitos. O futebol brasileiro ainda é olhado pelo resto do mundo, mesmo que alguns cheios de razão com síndrome de Roberto da Matta digam ao contrário, mas ele mesmo não se olha e não se avalia.

A propósito disso, como é interessante a opinião de grifeiros e marqueteiros de moda por aí, as velhas costureiras de sempre. Quer dizer que a organização foi vencedora? Então, espertos, em que posição ficaram Inglaterra, Espanha, Itália, e mesmo EUA, lugares onde a grama é sempre bem mais verdinha? É bom lembrar que os “desorganizados” Brasil e Argentina ficaram entre os quatro melhores, para desespero dos boçais da elite branca e azeda.

Mas, voltando ao nosso campeonato, que é o que interessa e nos move, presumo que por aqui já tenham aprendido que a melhor forma de se chegar a algum lugar, no campo esportivo, é com treino e dedicação. E foi isso, principalmente, que levou a Alemanha a ser campeã nesta Copa, eu repito: nesta Copa, não os investimentos, como alguns apregoam e nem a falta de malandragem. É este o principal legado a ser aprendido e copiado à exaustão, deixando-se de lado as falácias de botequim.

Nós que torcemos para um certo clube do Sul da ilha sabemos como treinam e como se cuidam, fora de campo, nossos jogadores. Os resultados obtidos até aqui não são, e nunca foram, por falta de salários, que isso fique bem claro.

Aqui, em nosso Estado, ainda sofremos, também, de síndrome da grama do vizinho mais verdinha, sem inventar ou elaborar uma nova estrutura, e dependendo do que os outros fazem para “nos darmos bem”. Uma das coisas que nos falta aqui, por exemplo, é investimento em categorias de base. Muito investimento. Diversos campeonatos das ligas amadoras e até nos torneios mirim e juvenil estão recheados de bons jogadores, de jovens talentos, revelações que sequer passam por nossos clubes. Qual a dificuldade de se pegar um garoto desses e transformá-lo num craque?

Há um outro conceito que precisa ser mais bem avaliado, que é o dos investimentos das redes de TV, o principal canal por onde somos vistos. Para alguns clubes do país, as redes de TVs são benfeitorias, quase como capitanias hereditárias, favorecendo os maiores. Mas no geral, os outros vivem de penicos na mão exigindo migalhas. Em Santa Catarina, então, lugar que, como disse o Felipão, nunca ganhamos nada, nossos clubes vivem à míngua, enquanto que as milionárias redes, parasitas de ocasião, deliciam-se com jogos e eventos relacionados aos clubes, sem um retorno consistente. Ganham muito com seus patrocinadores e não repassam isso aos clubes, a principal razão de haver programas de esportes nas redes, ora, vejam só! É bom lembrar, principalmente aos grifeiros e marqueteiros de moda, tão ávidos em nos apresentar exemplos estrangeiros, que muitos dos melhores campeonatos do mundo cresceram graças aos investimentos advindos das redes de TV, que os organizaram para os clubes e não apenas para seus patrocinadores. Se dependessem apenas dos clubes, muita coisa não andava.

E claro que, uma terceira coisa a ser mudada em nosso futebol, aqui no Estado e no resto do país, diz respeito aos objetivos e necessidade da existência dos clubes de futebol. Eles servem para que, afinal, para se jogar futebol ou enriquecer uns poucos? Por isso, uma das coisas a ser mudada, urgentemente, é a tal da Lei Pelé, um câncer que deve ser extirpado o mais rápido possível. Foi por causa dessa lei que a concepção de futebol mudou por aqui, e nos levou a pararmos no tempo, apenas investindo em mercadorias, mas esquecendo do real papel dos clubes.

Ora, os interesses no futebol são enormes e evidentes. Para se chegar a uma final de Copa do Mundo deve-se começar lá debaixo, lá nas categorias de base, na formação dos atletas. Rever e se avaliar cada etapa. E fazer com que o principal objetivo seja o crescimento do futebol, do esporte, apenas ele. Do contrário, vamos continuar tomando de goleada de todo mundo. E um dia, será até da Costa Rica. Duvidas?

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