Um alzheimer aplicado por Fritz

E poderia também ser aplicado por Müller, Klose, Kroos, Khedira e Neuer e Lahm e Boateng e Hummels e Mertesacker e Höwedes e Schweinsteiger e Draxler e Özil e Schürrle e também Joachim Löw. Enfim, uma máquina de fazer estragos que humilhou a seleção brasileira de cabo a rabo. Em 18 minutos, a seleção brasileira sofreu um alzheimer geral e foi massacrada.

Humilhação, essa é a palavra, sem exageros. E se os caras da terra de Goethe quisessem, colocariam 8, 9, 10, 12, 15, quantos gols fossem necessários. Nunca uma seleção em copa do mundo tão foi humilhada a esse ponto, sendo ambas do mesmo quilate. Em 84 anos de Copa do Mundo jamais a seleção da casa, sendo candidata ao título, foi massacrada desse jeito. E mesmo a seleção brasileira, um expoente no futebol mundial, muito menos.

Claro que a Copa é a dos superlativos, como eu já havia dito. É a melhor Copa de todos os tempos, a Copa dos mais-mais. Porém, não precisava ser contra a gente. Mas se tu fores um torcedor da Alemanha irás adorar isso sem pensar duas vezes.

Mas, também, há muita coisa a se dizer sobre esse jogo. Será dito daqui a dezenas de anos também, é bom salientar.

A primeira e principal delas é sobre a inércia do técnico Felipão. A seleção brasileira vinha jogando errado desde o primeiro jogo, todo mundo viu. Desde a manutenção de Daniel Alves na lateral, de Fred inapto e sem efetividade, de Hulk de uma bola só, de Oscar como ponta-direita, o time se enrolava em campo. Mas o técnico Felipão preferiu manter a sua teimosia e sisudez, suas convicções ultrapassadas, que se acabaram há dez anos, e preferiu o erro à revisão dos conceitos. Todavia, Felipão consertou o time a partir do jogo contra a Colombia. Finalmente tinha-se um esquema definido e um ajuntamento organizado. Era colocar um articulador no lugar do Neymar, contudido, e um zagueiro pela direita, PELA DIREITA, FELIPÃO, que o time se ajustaria frente à máquina alemã.

Felipão não fez nada disso e abriu a marcação. Enfiou o braço carnudo na jaula do tigre e foi devorado sem piedade. Demonstrou que pode pegar suas pantufas e ir desfrutar do bom clima de Caxias do Sul.

O time do Brasil tomava um baile, 3 a 0 contra a Alemanha, e ele, o técnico, se mantinha sentado no banco de reservas. Sem reação, estupefato, olhos arregalados, anestesiado. Ficou nítido que o técnico da seleção brasileira não viu qualquer jogo da seleção da Alemanha e não sabia o que fazer. E nem treinou seu time para esta partida, é bom dizer. Deixou o massacre acontecer e abandonou seus comandados à sorte. Uma covardia! Um vexame!

A segunda coisa a ser avaliada foi a participação de Fred nesta Copa. Fred não é um neófito, não é estreante. Fred não é aprendiz de atacante e nem começou ontem no futebol. Com Neymar em campo, onde três a quatro jogadores caiam sobre ele numa marcação implacável, sobravam espaços. E era aí que qualquer atacante com desejo de vitória e ambições na vida conquistaria seu espaço. Era o que se esperava de Fred. E Fred fez jus à condição de atacante da seleção brasileira? Nunca, em nenhum jogo. Os zagueiros da seleção fizeram gols, buscaram espaços no ataque. E Fred? Nem neste jogo, onde era requisitado alguém com conhecimento e experiência ele apareceu. Nulo e apático. Li nos lábios de Parreira nitidamente a frase: “com Fred não dá mais”. Nunca deu, Parreira!

A terceira coisa a ser dita é sobre a comissão técnica. Os jogadores da seleção ficaram expostos à execração, ao vexame, às gozações e em nenhum momento alguém da comissão técnica os auxiliou. Não se viu um dirigente os defendendo da condição emocional arrasada. E nem se pode dizer deste jogo, mas de todos os outros. A mídia deitou e rolou sobre a fragilidade emocional de alguns jogadores e ninguém veio a público os defender ou contemporizar a ridicularização do grupo brasileiro. Isso prova que política e futebol não se devem misturar e apenas os imbecis vêem fantasmas quando há apenas lençois pendurados.

Com uma mídia execrando o próprio mundial era de se esperar que gente tarimbada e digna viesse a público dizer palavras de conforto e consideração a respeito dos jogadores. Nada disso. Pelo contrário, os estoques de Red Label e Havanas ficaram no limites com celebridades rodando de lado a outro na comissão técnica e em seu entorno.

As lições desta partida catastrófica são inúmeras, várias, basta que sejam captadas e assimiladas. A primeira coisa é afastar, de vez, da CBF os carreiristas. Aquelas figuras que só estão ali para pôr um nome numa plaquinha ou crachá. Mas todo brasileiro com capacidade de enxergar a luz do sol sabe que isso nunca vai acontecer, evidentemente. Outra coisa a ser feita é montar uma comissão técnica para estabelecer uma nova formatação tática de futebol. Repito: nova formatação tática. Alguém sabe o que é isso?

O Brasil é pentacampeão mundial de futebol, é referência em qualquer lugar, mas são os outros que definem como se deve jogar. Desde 1982 não se joga mais o chamado futebol-arte, que só existe no Brasil. Isso deve ter um basta. Mas sabemos que muito pouco do massacre dos chucrutes em Belo Horizonte servirá para alguma mudança no futebol brasileiro.

A partir da próxima semana (re) começa o campeonato brasileiro. Que seu campeão seja um revolucionário do ponto de vista tático e mesmo técnico. Como eu mencionei, em 1982, uma das melhores seleções de futebol mundiais, a do Brasil de Zico, Sócrates, Falcão e Junior, foi derrotada na Espanha. De lá pra cá, pouco ou quase nada no futebol de nosso pais mudou. Pelo contrário, foi criada a tal de lei Pelé, um mostrengo que ajuda a se incentivar os arranjos, conchavos e engodos no futebol brasileiro. Para o futebol jogado nos campos, nada.

Esperamos que a forma da Alemanha jogar, com jogadas simples e sem mistérios, seja aprendida. Só para saber, o melhor time do mundo na atualidade, o Bayern de Munique, joga exatamente assim e deu de lavada em todo mundo. Seria interessante se saber como fazer. Porém, pelo que sabemos, o alemão que estará em voga por muito tempo por aqui é aquele que diz: esquece tudo e não sabemos do que se trata. Para regojizo de cartolas e empresários da bola, que é o que interessa nos meandros do futebol tupiniquim detentor, agora, do maior vexame em Copas do Mundo.

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