Imagine esta Copa

Num jogo de futebol, além dos gols, tem que haver um enredo. Há a necessidade de uma história, de um ajuntamento de fatos para que ele figure na memória dos espectadores. A frase “lembras daquele jogo?” será dita diversas vezes quantas os adoradores deste esporte se encontrarem para falar daquele determinado time. E uma Copa do Mundo, até pela sua freqüência, quadrienal, algo que para brasileiros acostumados a estaduais, Brasileirão das diversas séries e copas do Brasil é uma raridade, as histórias contadas de cada jogo viram lendas.

Pois é isso o que está acontecendo nesta Copa do Mundo feita no Brasil. Rodadas e rodadas de jogos épicos e jogadas alucinantes. E vividas aqui, em nosso país. Nunca antes nesse mundo se jogou futebol de tão alto nível.

A Copa no Brasil está sendo um sucesso de crítica, de público, de organização, de faturamento e, principalmente, de espetáculos. Quem imaginaria que assistir a uma Argélia e Coréia do Sul, por exemplo, nos envolvesse tanto a ponto de escolhermos um lado para torcer ferrenhamente? Quem apostaria que um Portugal e EUA nos emocionasse? Estamos torcendo fervorosamente pelo bom futebol da Costa Rica, tida antes da Copa como um cone e alvo da vez e agora estrelando como protagonista e sendo uma surpresa para lá de maravilhosa. Já há quem pense, dentre os grandes, em não cruzar com este bicho-papão poderoso. Pelo menos não agora.

Como não se empolgar com as arrancadas mirabolantes de Robben para a sua Holanda e infernizando zagueiros cadeirudos? Algum brasileiro quer torcer contra a Argentina e deixar de ver aqueles gols mágicos de Messi? E o futebol de conjunto da Alemanha, uma máquina de jogar bola? E Neymar? E Neymar? O que está jogando esse guri, pela nossa seleção?

Por isso, também, os jogos da seleção do Brasil devem estar servindo de aviso aos técnicos tupiniquins para abandonarem tudo o que fizeram até hoje. Esquecerem o que lhes ensinaram. Se a história por aqui sempre foi apostar em volantes brucutus e zagueiros troncudos, a Copa está mostrando que isso deve acabar, definitivamente. O Felipão ainda trás essa fórmula velha e ultrapassada, mas conta com um grupo habilidoso e raçudo, que acaba salvando a sua pele. E ainda tem Neymar para, definitivamente, ganhar os jogos para ele. Porém, é preciso que nossos treinadores aprendam que o futebol é bola pra frente e fazimento de gols, muitos gols. De uma vez por todas, aquele negócio de manter o resultado está com os dias contados, como bem nos está ensinando esta Copa.

De tudo isto, a certeza que fica é que já estamos com saudades. Se antes alguns fracassados e ressentidos apostavam na vergonha que seria a Copa, hoje estão arrependidos. Alguns estão escondidos, mas outros se curvaram ao espetáculo desta competição. E, com toda a certeza, sentiremos muita falta de bom futebol, de jornadas épicas e jogos alucinantes.

Imagine quando acabar a Copa, o vazio que ficará. Por isso, devemos curtir, muito, o que está acontecendo. Isso que está ocorrendo no Brasil é sensacional, é histórico.

Repito, sempre: Está tendo Copa, das melhores que se poderia imaginar.

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