Com aquilo pra Lua

O técnico Raul Cabral não pode reclamar da sorte. Assumiu o Avaí em duas situações encardidas, que poucos homens no planeta teriam coragem de encarar. Jogar contra o Figueirense, cujo time não é lá essas coisas, mas é sempre rival, numa situação na qual o técnico contratado, Paulo Turra, não quis assumir e acabou vencendo, e bem, foi das melhores coisas neste ano.

Agora, pegou o time de novo após uma demissão de técnico, jogadores desmotivados, com tudo ao contrário, com ninguém querendo mais nada, a torcida com aquela vontade de desistir de tudo e de todos, vindo de uma derrota humilhante contra um dos piores times da competição, ele toma as rédeas, muda o esquema tático, faz mais ou menos o que a torcida queria e vence novamente, num jogo difícil, complicado e dramático.

Claro que dizer que alguém tem sorte é negar-lhe a competência, mas convenhamos, na atual fase essas duas partidas caíram no colo do rapaz com imensa felicidade. Ele estava no lugar certo, na hora certa, mas com tudo ao redor errado. E acabou tudo certo. Ele tem estrela, pode ter certeza o leitor.

Se falta-nos qualidade, o time aliou raça com ajuste tático. Claro que falta muita coisa, mas muita coisa mesmo, mas o Avaí jogou como convém a um time de Série B e numa condição de desastre completo. Raul colocou duas linhas de quatro jogadores impondo uma marcação forte, coisa que passou longe da Ressacada por muitos meses. Apenas isso e já foi o suficiente. Se criamos pouco, também sofremos pouco e as coisas só se complicaram porque faltou gás. A propósito, com todo o respeito ao profissional da preparação física do Avaí, mas o condicionamento físico do time é péssimo. Um grupo de idosos dançando no Maré Alta a noite toda tem mais fôlego. Alguma coisa está errada, muito errada.

A parte curiosa, pra não dizer hilariante, foi ver o time jogar sem Marquinhos, Eduardo Costa e Roberto, havendo-se bem no esquema tático aplicado por Raul Cabral e desmontando as teses tolas de alguns bocós alucinados. Parece, a princípio, que não fazem falta e podem continuar a visitar aquela enfermeira do DM quanto tempo quiserem.

Em relação ao esquema de jogo, ou o treinador Pingo mostrou que enganou a todos durante muito tempo, ou estava de sacanagem. Eduardo Neto jogou numa função diferente do que vinha apresentando e se não foi aquele primor de jogador, também não comprometeu. Não é possível que duas pessoas à beira do gramado tenham visões de jogo diametralmente opostas para os mesmos jogadores. Algo precisa ser explicado e urgente.

A se considerar a forma como o time jogou, eu efetivaria o Raul e dava condições de trabalho. O que temos a perder?

A notícia lamentável é assistir à decadência de Cléber Santana, num fatídico 100/sem. 100 jogos e sem jogar. Ou para agora e viva dos louros, ou mandem para outro clube. Do jeito que está é peça nula. E que não venha outro alucinado dizer que ruim com ele, pior sem ele. Está sendo ruim com ele e pronto.

Respiramos e isto é o importante. Todavia, é fácil concluir que as coisas nebulosas dos interiores da Ressacada de vez em quando nos dão sinais do quanto nos atrapalham e que, supõe-se vão continuar a nos infernizar por um bom tempo. A gestão de futebol do Avaí precisa esclarecer, com sinceridade, o que está acontecendo. O Avaí é muito maior do que alguns sabichões lustradores de microfones.

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