A pátria de acomodados

A enfiada de problemas pelos quais passa a maioria dos times de futebol no Brasil reflete o alerta dos especialistas para uma tendência nesse esporte, que é a volantização dos esquemas táticos. Tornou-se prática comum, segundo essa ótica, retrancar os times, enchendo-os de cabeças de área ou fazê-los jogar para não tomar gols, ao invés de fazer. O futebol, por isso, ficou chato, burocrático, medroso e burro. Contudo, uma análise mais aprofundada percebe que não são apenas retrancas que prevalecem, mas os jogadores que “se defendem” por possuírem poucos recursos.

Aos apreciadores do tal futebol-arte digo sempre que isso acabou, esse negócio de firulas, dribles e estilos moleques do futebol. O futebol moderno é o paraíso dos brucutus, que são descendentes de visigodos, vikings ou eslavos do norte, ou seja, são dos mesmos de sempre, dos europeus. Mas para quebrar isso eles mesmos, lá do outro lado do Atlântico, contratam quem? Os brasileiros. Ou os brasileiros que ainda jogam alguma coisa.

Pois aí é que pode estar o sintoma desse espírito de carrinhos, pontapés e sopapos por aqui: a falta de jogadores mais habilidosos em terras canarinhas, uma vez que sua “arte” foi pintar no Velho Mundo. Ou, quem sabe, até no Extremo Oriente.

Eu acho até engraçado quando um ou outro Mané vem referenciar Barcelona, Real Madrid, Chelsea ou Bayern como exemplos do futebol-arte, e se vê em sua maioria jogadores brasileiros dando entrevistas por terem decidido partidas. Às vezes surge um ou outro de qualquer país fazendo algumas acrobacias, mas a crítica rapidamente compara o estilo do “malabarista” com o dos brasileiros. Enquanto isso, aqui no Brasil, os que sobraram só sabem jogar na defesa.

Vejo que a questão toda se resume na excessiva exportação de craques, um problema crônico e antigo. No campeonato brasileiro, por exemplo, se destacam jogadores cuja média de idade é aquela próxima da aposentadoria. Ou aqueles que voltaram por falta de adaptação lá fora. Ou mesmo aqueles dos países vizinhos. Ficará cada vez mais raro assistirmos qualquer neymar, lucas, oscar ou william fazendo das suas em nossos jogos. Até porque as retrancas “das sobras” não deixam.

E alguém ainda disse que os estádios estão vazios por causa dos preços dos ingressos. Se é para assistir a caneladas e sopapos, muitos preferem o MMA, o lugar ideal para isso.

A gente vive reclamando que nossos times não saem para o jogo, não fazem uma jogada ensaiada, um lance de criatividade, uma bola colocada com maestria nas redes. Mas, pudera, pelo nível de habilidade que temos por aqui, qualquer lateral bem cobrado, ou um passe bem dado em cinco metros é motivo para se soltar fogos ou fazer carreatas com o jogador sendo levado em caminhões de bombeiros.

Conciliar entradas e saídas, ser ousado, fazer algo diferente no futebol e não apenas a manutenção dos cargos, enfim, sair da mesmice é o que falta a muitos jogadores e principalmente aos técnicos tupiniquins. O que vemos hoje é uma ráfia de acomodados, interessados apenas nas carreiras, que pulam de time em time, mas acrescentando pouco ou quase nada no esporte das multidões. Um lote de covardes!

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