Ficou o dito pelo bendito

Algumas pessoas, ao fazer análises do mundo que nos rodeia, acabam proferindo frases que podem nos ajudar a tomar uma decisão ou compreender melhor o que nos acontece. Desde fenômenos a eventos, tudo pode ser explicado. E se ainda não for explicado é porque não temos tempo, vontade ou mesmo dinheiro para isso.

Uma das frases que eu mais gosto vem lá do século 14 e foi dita por um frade franciscano chamado William de Occam, que é mais ou menos assim:

“Se houver várias explicações para um mesmo fenômeno, escolha sempre a mais simples”.

Isso foi carinhosamente chamado de Navalha de Occam e é usada pela ciência como noção de economia, parcimônia e simplicidade. Em resumo, para que complicar se podemos simplificar.

Uma outra frase interessante foi usada por um sujeito nos anos 1980, chamado Robert Hanlon, em alusão aos conceitos e predicados encontrados nas famosas piadas da Lei de Murphy, aquela que diz que “quando uma coisa tente a dar errada, pode ter certeza que dará errado”. Diz o senhor Hanlon: “não atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez”.

Trago estas pérolas da heurística (a arte de descobrir e encontrar as soluções dos problemas) para tentar entender o episódio do seu Paulo Sergio após o jogo contra o Paraná, na última terça-feira. Sim, eu sei, isso já foi discutido amiúde, muita gente já divagou a respeito e as devidas explicações já foram oficialmente dadas. Mas eu quero dar meu pitaco, não posso?

Sabe-se que as coisas intramuros não andam nada boas para o Leão da Ilha. Das fofocas às pindaíbas, tudo ocorre ali dentro. O Avaí tem se tornado um pára-raios de problemas. A frase de Murphy cabe muito bem em nosso clube, pois se algo tem que dar errado no Sul da Ilha, vai dar errado mesmo, pode esperar. A nossa frase preferida, “esse Avaí faz ‘coza’” concorre exatamente contra os erros que se carrega por ali.

Mas eu fiquei encucado com o que disse o maior artilheiro do Avaí na última semana em ano da Copa, quando perguntado a razão de não ter comemorado os gols contra seu ex-clube: “tenho meus motivos para não comemorar… o Avaí sabe meus motivos”.

A explicação mais simples para isso é: estava sem dinheiro, tem um carinho pelo Paraná e queria ver sua situação resolvida. E, além do mais, o Avaí sabe de sua angustia.

Ocorre que, dita daquela forma, a frase acusava era o Avaí e sua fábrica de chocolate interna. Sabemos, todos nós, que num lugar adequado e com boa atmosfera, sorrimos. Numa colação de egos e vaidades, fazemos caras e bocas, que foi o que o seu Paulo Sergio fez. Aliás, ele não disse aquilo por malícia, mas por ser um estúpido, no sentido de meter os pés pelas mãos. Deveria era ter algumas aulas de frases com o seu Marcos Vicente, pródigo em dizer coisas bombásticas. E, por curioso, ele não traz para si o motivo da tolice proferida, mas dá é nos dedos dos outros.

Sabemos que as pessoas adoram uma futrica e aí elevaram a coisa à potência de dez, porque é muito bem ver o Avaí sangrar.

Seu Paulo Sergio é, na verdade, um tanso, um Zé Mané que não mediu o tamanho da bronca que tinha com os outros. E aí soltou o verbo em hora e local inadequados.

Faça o gol e comemore, meu filho, pois o resto é figuração.

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Um comentário sobre “Ficou o dito pelo bendito

  1. Nunca vi o Avaí tão sem comando como nos últimos 6 ou 7 meses.
    Falam e fazem o que querem, e o retorno que é bom….esquece!

    Poderiam se matar com os egos mais inflados do que a barriga do baiacu, mas deveriam mostrar serviço em campo.
    É lamentável irmos nos jogos do Avaí e voltar decepcionado, mesmo com a vitória.
    PS, MS, CS, Roberto, EN, Bocudo, Tinga, Diego,… todos eles tem, ou tiveram futebol que lhes credenciariam para jogar em qualquer time da série B e alguns da série A.
    Todos juntos no Avaí não fazem por merecer isso.
    Sei das tuas restrições, mas mesmo jogando bem abaixo do seu potencial, o MS tem sido o melhor dessa minha listinha.

    Aguiar, não sei mais o que pensar sobre esse time do Avaí, como já falamos no estádio, queimamos todas as possibilidades de camisas da sorte e outras mandingas desse tipo.
    Podem até ser baladeiros, mas isso não iria fazer com que eles “não joguem nada durante 90 minutos”.
    O Pingo tem feito cagadas sobre cagadas, mas e os outros que passaram também são tão fracos assim?
    Não é só o Pingo e nem só um jogador, o lance deve ser generalizado.

    É isso.
    abraço

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