Uma base ácida

– Há muito tempo não sai um jogador bom da base do Avaí!

A frase aí não é minha. É do jogador Marcos Santos, o Marquinhos, o Anjo Loiro, o homem do Créu, ídolo endeusado e escorraçado na Ressacada na mesma proporção, modo e intensidade. O que Marquinhos diz se escreve. Aliás, se repercute, se repete, se entende e se guarda.

Durante muito tempo, na Ressacada, foi passada a ideia de que a direção avaiana, mais precisamente o ex-presidente João Nilson Zunino, e até o seu filho, Gabriel, ganhavam dinheiro com a base do Avaí. E dinheiro bom, algo que chegou a montar uma fortuna para eles, segundo se dizia.

Foram acusados, de maneira leviana, de se aproveitarem da base avaiana para negócios próprios. Vários bons jogadores, promessas que podiam ser aproveitadas, que serviriam bem ao time principal, saiam a rodo, graças às vantagens que eles, pai e filho, obtinham. De mafiosos a bandidos, passando a perdulários, todos os adjetivos foram mencionados para ambos. Não se poupou, sequer, a fase final da doença do ex-presidente, jogando a tal da humanidade pelo ralo.

Donos da verdade pipocaram por todos os cantos, insinuando também, em outros casos, que cada garoto vendido era dinheiro jogado fora (ou dentro, dependendo do referencial). Até em relação aos jogadores-guris negociados a preço de banana era lançada no ar a concepção de que “havia um por trás”. As bases avaianas eram uma forma de a “família” ganhar dinheiro. Não se fazia nada do ponto de vista administrativo, porque o interesse era ficar rico com os garotos, falava-se.

O que sempre soubemos, contudo, aqueles que se interessam de verdade com o Avaí e não para levantar egos ou fazer figuração na beira do gramado do CFA para posar de “bom ou boas” torcedores, ou ter colunas em jornais famosos, que aquela categoria tem muito mais problemas de ordem existencial do que de potencial para o futebol. Muitas medidas foram tomadas, até de ordem psicológica, sem muito sucesso. Juntar uma porção de rapazes, numa espécie de confinamento, alguns casos gerando até registros policiais, é de uma dureza absurda, que desocupados pensam que seja fácil.

Quem acompanha o Avaí como torcedor e não para encher lingüiça em blogs, ou fazer cara de paisagem nas reuniões do Conselho, sabe como aquilo é difícil. Curioso é que para não perder o lugar na janelinha agora alguns destes falastrões mudaram até o discurso, como forma de posarem de ixpecialistas.

Talvez possa se culpar as escolhas, o modo de operação técnica da categoria, treinamentos, até inquirir os dirigentes à frente do processo, coisas que com mais cuidado e empenho possam ser resolvidas, mas a questão comercial envolvida ali é nítida. Nunca existiu. Não existem vantagens financeiras nas categorias de base avaiana, a não ser engordar as gavetas de dívidas.

Porém, a revelação do jogador ao qual um grupelho aí não admite se dizer nada a respeito, diz que há muito tempo não saiu jogador bom de lá de dentro. E a palavra dele é lei, diga-se.

E então eu pergunto:

– Como é que se consegue ganhar dinheiro com jogador ruim?

– Qual a razão de se investir em quem não quer nada com a vida?

Precisamos, evidentemente, de uma categoria de base competente, vencedora e que gere futuros atletas para o futebol, tanto para o Avaí como para outros clubes. E que isso sirva para se encerrar essas conversas de comadres à beira do campo do CFA. Tem gente que precisa trabalhar mais e falar menos.

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