Com a cara do Leão

Por volta dos 30 minutos do segundo tempo eu virei para meu amigo Assis e disse: “vou largar”. Não aguentava mais o que estava vendo. Não suportava tamanha sonolência, tanta magreza de competitividade. Algo que se acumulava e culminava em mais uma topada sem sentido. Algo para onde a paciência não existia mais.

Mas aí, o garoto Anderson Lopes recebeu a bola dentro da área, deu uma finta de corpo no zagueiro e abriu a virada. E foi a virada de tudo. Das humilhações, das vergonhas, do desânimo, da falta de comprometimento, da camisa não suada e da retomada do amor que se tem por este clube.

Alguém já disse alguma vez que não se torce para o Avaí, se pratica uma religião.

É um negócio que não tem explicação nas línguas que os humanos inventaram e nos pensamentos associados. De repente, um time que nos fazia sofrer, que já nos forçava a desistir, que nos acentuava o descrédito, em um jogada, uma apenas, fez a torcida levá-lo nos braços e veio a virada, numa noite daquelas que ficam para a história do clube.

Daquelas histórias do nosso passado de glórias.

Daquelas histórias que não nos permitem desistir.

Daquelas histórias que só os avaianos sabem o que significam.

Foi uma noite sofrida, uma noite terrível, uma noite onde o futebol foi escorraçado de nosso reduto. Mas, apenas a raça, um pouquinho da raça que sempre pedimos, uma dedicaçãozinha tão esquecida nos últimos tempos, foi o suficiente para aquela explosão de alegria. E quem conhece o Avaí Futebol Clube, a sua história, as suas conquistas, sabe que o tipo de jogo dessa noite tem a nossa cara, a cara do Leão da Ilha. Jamais fizemos o mais fácil.

Agora, é preciso dizer que foi algo incomum e raro nos últimos tempos, e que por alguns segundos nos fez esquecer dos problemas que nos trouxeram até aqui. Revivemos aquelas vitórias de tirar o fôlego, de escorrer lágrimas, de palpitações infartantes, de olhos atentos e músculos retesados. Daqueles tempos onde na Ressacada ninguém ganhava do Leão.

Quem sabe esta virada não seja o começo de um retomada do valor que se havia esquecido e das conquistas que se haviam acabado?

E quem ninguém, ninguém mesmo, dentro ou fora de campo, cale mais este nosso amor.

Entretanto, a pontinha de dúvida permanece…

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