De perebas e craques

Numa reportagem do Programa Fantástico deste domingo, a respeito das estatísticas do futebol, foi afirmado que as decisões numa partida são proporcionadas não pela ação dos craques e talentos em um time, mas pela torpeza dos cabeças-de-bagre. Disse, o autor, baseado em estatísticas, que para um time sair vencedor num campeonato não deve se preocupar em contratar craques, mas se livrar dos pernas de pau.

Claro que, para quem acompanha o futebol, apreciar uma bela jogada, um passe preciso, um gol antológico nos enche os olhos. É o desejo máximo deste esporte/desporto ver um gol de placa. Aquele com a bola sendo chutada de primeira e ela indo cair no fundo das redes, indefensável para o goleiro. Há ainda o chapéu, a finta, o drible, a firula, a bola no meio das pernas, todas jogadas efetuadas apenas por craques. Um Zaltron da vida que dê um lençol e faça um gol é motivo para se parar o jogo, chamar o caminhão de bombeiros e sair em via pública fazendo alaridos e soltando fogos. E um time de Zaltrons é mais comum no futebol do que o de um Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar.

Porém, é graças às falhas dos perebas que os craques aparecem. Zagueiro bom contra atacante bom dá zero a zero. E zagueiro ruim contra atacante mais ou menos sempre toma bola nas costas, um chapéu ou uma no meio das canetas. Quando não faz gols contra ou pênaltis infantis. O craque, por sua vez, sempre se aproveita das falhas alheias e faz das suas.

Por outro lado, em campeonatos onde a maioria dos jogadores são bons ou muito bons, dificilmente temos goleadas, a não ser que os jogadores de um dos times tenham tomado água de coco com limonada a madrugada toda.

Um jogador bom serve aos companheiros, ao invés de chamar para si os problemas, se considerando um semideus. Assume as responsabilidades, mas não leva isso para casa como se fosse uma carga só sua. O pereba põe a culpa em tudo e em todos, menos em suas falhas ou falta de preparação.

Ao ver e analisar essa matéria fiquei a pensar onde isso se encaixaria no time para o qual eu torço. Será que há algo assim por aqui? Não, certamente que não. Afinal, vamos disputar a final da Champions League, com um time galáctico, sem bolas murchas e com uma porção de gente que nem limonada toma.

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