O respeito ao medo

Quem assistiu ao jogo entre Chapecoense e Corínthians, e sobreviveu, percebeu algo que foi, mais tarde, escondido pelas duas equipes.

Momentos depois do jogo, o pessoal do time paulista, sua comissão técnica, jogadores e torcedores, bem como da equipe do Oeste, valorizaram o respeito entre as equipes. Iludiram a todos com a máxima de jogo duro e pesado. Os da Chapecoense, então, exaltaram o “jogamos de igual pra igual”. Porém, o que todos esconderam é o que se tornou comum no futebol atual: o medo.

Os jogadores da atualidade, os dos times dos principais campeonatos, em sua maioria, ganham salários superiores a cinco dígitos, além de contratos de marketing e imagens individuais, gratificações e, entrando na moda, a tal da produtividade. Precisam, além disso, de técnicos motivadores ou berrando impropérios à beira do gramado, além dos tradicionais vamulá, ou pega-pega.

E, na imensa maioria das vezes, assistimos a jogos onde times medrosos e jogadores covardes não dão um passo além de suas capacidades, algumas delas corroídas em baladas. Fecham-se em retrancas, ferrolhos e respeitos aos adversários.

Claro que os treinadores, grande parte recém-saídos dos próprios gramados, onde também jogavam para trás, colaboram para a manutenção desta cultura do medo. Metem 10 zagueiros, 30 volantes, 60 armadores que dão passes para trás, e apenas um atacante lá na frente, dependendo da sorte quando uma bola sobra e tendo que disputar espaços exatamente contra a mesma postura tática de seu time no time adversário.

O futebol virou o esporte dos brucutus, troncos cravados nos gramados cada vez mais aparadinhos e retos, mas sem criatividade, sem que alguém jogue dentro da área adversária e imponha respeito fazendo gols, jamais se defendendo. A velha máxima de que a melhor defesa é o ataque se perdeu nas ondas do tempo.

No mundo ideal, a marcação deve ser usada como forma de provocar erros no adversário, tomar a bola e partir para o ataque. Jamais a principal estratégia de um time em campo. O futebol existe, exatamente, para que haja gols, não para se preservar a virgindade de um sistema defensivo. Ou se preserve cargos.

Espero que o técnico Pingo repense esse pacto medíocre de “primeiro não tomar gols”. Que abuse da coragem e invista no “primeiro vamos fazer gols”. Quem sabe seja a estratégia ideal para o Avaí sair deste marasmo em que se encontra.

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Um comentário sobre “O respeito ao medo

  1. Concordo contigo.
    O problema é que o sistema defensivo do Avaí é fraco.
    Bocudo só ataca;
    A dupla de zaga recém saiu das fraldas – preciso de um bom e experiente comandante;
    Eduardo Neto….sem comentários;
    Eduardo Costa faz falta no time titular;
    Tinga não marca bem. Com o resto do sistema defensivo fraco ele acaba prejudicando e sendo prejudicado.
    Os meias estão devendo;
    Roberto ainda não voltou para o Avaí;
    O segundo atacante ainda é uma dúvida, pois já passaram uns 59 por ali.

    Shalom e fé.

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