Enxugando gelo

A grita geral, seja nas arquibancadas da Ressacada, nas redes sociais, nas ruas, nas redações dos jornais é uma só: precisa-se de um matador (além do tá feio e não tá fácil). Lamenta-se. Lamenta-se muito, mas também é preciso trabalhar.

Odeio o comportamento do Lippy e Hardy, daquele Ó dia, ó azar! Ter uma caganeira e dizer “fizer merda” é mais que óbvio. E aí se diz que não tem mais nada a dizer.

Durante muito tempo se jogou pedras na Ressacada e agora não se tem mais nada a dizer? Ah, avestruz!

Pois então, precisamos mesmo de um matador?

Mas quem bota uma bola no ataque?

Nossos atacantes jogam na intermediária, velho. Eles vão para o lado de campo fazer cruzamentos para…. um atacante. Quem deveria fazer não faz isso.

Os atacantes no Avaí morrem de fome por falta de bola pra comer.

Os lançamentos, as armações de jogadas estão sendo feitas pelos zagueiros, porque os armadores estão em outra vibe, mano.

Os laterais avançam, mas têm medo de fazer isso porque sobra um espação nas suas costas. E aí saem de campo vaiados por isso, quando deveriam exigir cobertura.

Os volantes jogam em linha e há uma brecha entre o meio e a defesa. E o meio? Está em outra vibe, mano.

E tudo isso tem sido assim desde há um ano. Desde dois anos. Três. Passaram-se quantos técnicos nesse meio tempo, a dizer que estão felizes com isso, sem coragem para mudar?

Por isso, continuamos a dizer sempre a mesma coisa, a enxugar gelo. E a gente torce pra quem hoje? Pra cones? Ou pra meros esforçados? Quem sabe para medalhões que nos dêem alentos?

Quanta gente já passou pela Ressacada? Será que somos tão seletivos assim que apenas um tipo especial de jogador serve para as nossas pretensões? O tipo de jogador que já fez parte de uma campanha memorável e aí nenhum outro pode ocupar o lugar? É a maldição do “esse lugar é meu”?

Me dá esgares de raiva ver um Luciano sendo elogiado e se dando bem no Corinthians. O Lima, lembras dele? Pode ser o atacante da seleção de Portugal na Copa do Mundo. Acreditas nisso, cara? Quando soube disso me deu uma dor enorme entre o dedão do pé e o resto de cabelo. Esses caras estiveram aqui, com a nossa camisa, e não jogaram porra nenhuma! E a gente quer outros, quer mais gente, mais gente, mais gente, pra vir aqui e ganhar mais dinheiro, gastar tudo em balada e em João Caminhante, ir embora e gozar da nossa cara por ter nos tirado sonhos e soterrado fantasias. “Aqueles otários do Avaí!”

Tá na hora de mudar esse quadro. Esses caras que estão aí têm que fazer a diferença. Espero deles e não do quem sabe ou do poderia ser.

Quando vi o time do Bragantino alinhado na hora do hino chamei a atenção do meu amigo Assis, da diferença de tamanho. Isso ganha jogo? Sei lá, mas era muito gritante. E porque as nabas que jogam com nossas camisas não saem de campo com vergão nas pernas, enfrentando com sangue nos olhos os bichos feios?

Estamos purgando feridas, procurando no etéreo a razão de nossos fracassos. Pois a razão está aqui mesmo, com os nossos, mas queremos outros, para passar pelas mesmas situações.

E o curioso é que tudo o que está aí foi pedido por muita gente. Marquinhos, Cléber Santana, Eduardo Costa, um treinador revelação, são crias de nossa imaginação. É como se o sujeito acumulasse poupança ao longo da vida pra comprar uma Ferrari e, ao ligar o motor verificasse que ele não funciona, que as peças são fracas, que o interior é inacabado. Mas ele queria tanto e a decepção é arrasadora.

Olha, confesso, eu até sei fazer as perguntas, mas não tenho mais respostas.

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