A crença que “faz-me” rir

Crença é um troço que satisfaz a quem acredita.

– Ó, que óbvio.

Pois é, mas é isso, sim, senhor. Cada um acredita naquilo que lhe dá conforto. Às vezes, é um conforto existencial, outras vezes é financeiro mesmo. Mas é algo de cada um. Eu, por exemplo, abomino aqueles pregadores que batem à minha porta domingo pela manhã me vendendo livrinhos ensebados e me empurrando mitologias escritas por fanáticos esquizofrênicos domadores de camelos. Para eles é uma salvação, para mim é uma bobagem, o que não lhes dá o direito de me encher a paciência num domingo pela manhã.

Mas no âmbito do futebol a crença permeia e faz vítimas todos os dias. Misturado na multidão, o crente futebolístico urra palavrões abençoados e beija camisas sagradas suadas, desanca pessoas irmãs, abraça estranhos fiéis e chora aleluias quando um jogador de seu time quebra a perna do adversário, sem dó, nem piedade.

No seu modo de ver as coisas, nas suas crenças, tudo pode e é permitido. Para si. Para o outro, não.

Contudo, se alguém imagina que os crentes futebolísticos pertençam a classes sociais menos favorecidas, cujo raciocínio lógico seria precário, engana-se de acordo com a redondeza da Terra.

Doutos acadêmicos, eruditos contumazes, consumidores de Tolstoi, Michelangelo e de uma ária de Verdi são tão fanáticos quanto o coitado proletário.

E agora, nas finais do Onix do Delfim, eles saíram da toca, implacáveis e alvissareiros. Querem porque querem, de qualquer jeito, que o clube mais estranho da galáxia chegue a um título estadual. Sim, estranho! Vestem-se de várias cores, mas se dizem alvinegros, têm um chuveirinho como mascote, em seu escudo há um pé de brócolis, sua torcida se diz mais vezes campeã, mas com menos títulos. E tem mais, é só buscar.

Aliás, os Adoradores do Brócolis Sagrado, enfiados na mídia local e infiltrados no TJD-SC e até na Federaca estão dando as cartas e jogando de mão.

Querem nos fazer acreditar em seus preceitos. Dizem que jogam contra uma conspiração ensaiada. Isso lhes dá o direito de ir às rádios e jornais e ofender a tudo e a todos. Até ameaças veladas de seus jogadores aos adversários são tidas como desabafo natural.

Ou seja, acreditam que podem. Mas é assim: todos os desesperados acham que podem. Choram e se rasgam para que os outros acreditem em sua lógica.

Na verdade, seguindo toda a lógica crente, se não der por bem, vai ser na marra mesmo.  Os do Norte do Estado que se cuidem, pois a Santa Inquisição foi restaurada.

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