Um faz-de-conta deplorável

No mundo globalizado e tecnológico dos dias atuais não existe santo. A ingenuidade é muito mais comportamento de recurso de interesses, de não-compromisso, de transferência de responsabilidades, do que atributo de algum caráter. Com todo mundo plugado em qualquer área, alguém dizer que NÃO SABIA alguma coisa é de um cinismo atroz. Só se andou comendo mosca.

Ressalte-se que apenas as pessoas usuárias de drogas pesadas, as que moram em cavernas, residem no interiorzão do país sem luz elétrica e dependendo da luz solar, ou algum ET que pouse aqui por acaso pode dizer que foi enganado. O resto é simulação barata.

Por isso, abomino a conversa de que um dirigente de futebol seja o responsável pelo mau desempenho de algum atleta, sendo este atleta top de linha, ou ao menos portador de algum currículo, quando o time não joga por falta de salários.

Muita gente com a pança maior que o nariz me critica por achar que tenho mudado meu discurso, alegando que meu patrão saiu e aí estou liberado a dar pauladas no Avaí. Na lógica tola de analfabetos funcionais, pensam que sou leviano a este ponto.

Reforço a cada dia que apoio incondicionalmente o Avaí Futebol Clube. Exatamente por estar aqui, quase todos os dias, de ser sócio, de estar no estádio e acompanhar o desempenho dos times é que meu apoio se faz presente. Poderia me preocupar com coisas mais valiosas, sem este stress todo. Minha vida é voltada para as Ciências e meus interesses profissionais são maiores que o simples futebol. Mas, é minha paixão e não vivo muito longe dela.

Assim, o que eu não aceito, no futebol assim como na vida, é quem joga contra. No passado arranjei brigas homéricas com quem criticava os jogadores do Avaí, por imaginar que jogavam com o furor de jogadores imbuídos de uma causa. E precisavam de apoio, ao invés da crítica solta e gratuita.

Percebi, infelizmente, que isso era uma farsa, que na verdade a conta bancária dos boleiros era mais importante que vitórias e conquistas para o meu clube de coração. Mas há quem diga que isso é culpa dos dirigentes e não dos jogadores. Que eles, coitados, são enganados.

Ora, como disse acima, quando alguém vem jogar no Avaí, sabe de antemão de nossa estrutura, de nossa história, de nossas capacidades e possibilidades. Não pode, tempos depois, dizer que as dificuldades são maiores e isso os impede de jogar.

Dessa forma, essa tirada de pé que nos envergonhou tem, sim, razão de crítica. Faço um mea culpa por não ter concordado com isso antes. Se no passado estes jogadores eram aplaudidos, hoje não contam com nosso apoio, é bom que se diga. A razão está na bilheteria, se ninguém percebeu ainda.

E se alguém pensa que isso é fácil, garanto que não é sem dor. Não tenho qualquer prazer em declarar isso. É lamentável, é triste se saber que os bastidores fervem e sem qualquer sinal de melhorias. A falência moral de algumas pessoas pesa em nossos sentimentos. Um dias elas vão embora. Ficamos nós a purgar as feridas.

A propósito, infantil é quem acredita em medalhões, que eles possam resolver alguma coisa. Essa ingenuidade pueril é deprimente e está nos levando ao fracasso.

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