O cara que nós conhecemos

Marquinhos Santos foi o cara do jogo desta quarta-feira. Ninguém duvida. Jogou muita bola, deu passe, chutou para o gol, cobrou bem os escanteios, marcou, correu e bateu o pênalti para fazer o segundo gol decretando a vitória do Leão. Comandou o jogo e fez o time jogar do jeito que ele gosta, do jeito avaiano de jogar. Nenhum jogador, nesta noite, foi tão avaiano quanto ele.

Por que será que ao ver o Marcos Vicente Santos, o Marquinhos, pegando a bola para bater o pênalti eu me lembrei de imediato daquele jogo, na primeira fase, de Itajaí? Por que será que na entrevista após o jogo, onde ele acusou e se defendeu, eu lembrei rapidamente do jogo nojento contra o Atlético Goianiense, na série B de 2013? Por que será que naquele passe magistral para o Roberto fazer o primeiro gol eu lembrei daquele jogo vergonhoso contra o JEC, onde os jogadores, comandados por Marquinhos, sequer passavam do meio de campo e davam toques preguiçosos para o lado?

Porque, naqueles momentos, como em outros nos últimos meses, nestes dias difíceis onde até a nossa avaianidade foi posta à prova, eu esperava esse Marquinhos aí, o mesmo deste jogo desta quarta-feira, quando o Avaí voltou a jogar bem, na Ressacada, e mostrando que tinha time para estar no quadrangular decidindo o título. Aliás, tinha time para estar na Série A de 2014 com um pé nas costas. Esperávamos. A cada jogo era uma esperança.

Mas, os caprichos da natureza, a mesma que faz jaca nascer no alto das árvores, e morangos no chão, são difíceis de entender.

Marquinhos diz, na entrevista, que é avaiano, que “o seu Avaí está no sangue e na alma”. Sim, legal, bacana, e em mim também. E numa porção de avaianos mais ainda. Vários e vários avaianos se dedicam, dia e noite, a esta paixão. Fazem qualquer coisa para ver seu Avaí bem. Sacrificam-se, fazem loucuras, expõem-se, choram, vibram e se alegram pelo Avaí. E o fazem de graça. Olha que legal! Não recebem salários para isso. Muitos deles, se isso fosse possível, fariam qualquer coisa para estar ali, dentro de campo, vestindo a camisa 10, sujando os calções na grama e suando quase ao sangue nosso manto sagrado. Ah, se isso fosse possível, hein?

Contudo, na maioria das vezes, estes avaianos não são correspondidos. São humilhados, saem de cabeça baixa do estádio, tem sua auto-estima jogada na sarjeta. São os que ouvem as gozações, as chacotas e os escárnios simplesmente por serem avaianos. Vários deles, destes avaianos massacrados, sequer têm vontade de sair para beber com os amigos, de se divertir, de mudar o foco.

Quantas e quantas vezes neste ano e no fim do ano passado queríamos que “este sangue e esta alma” aflorassem. No entanto, nos decepcionamos. A nossa alma sangra.

Quem sabe o ídolo avaiano, que a torcida pediu em coro para que batesse o pênalti, ao ir descansar em sua casa de praia em Palmas, leve o DVD especial feito para ele desse jogo, o jogo dos 250 jogos, e ele reveja minuto a minuto suas jogadas e diga: “Esse cara aí eu conheço. Ele tem sangue e alma avaianos. Onde ele estava?”

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