O bom senso dos outros

O tal grupo do Bom Senso Futebol Clube, aquela porção de jogadores desocupados que quer regras no futebol, mas não para eles e se esquecem das suas, agora veio com a proposta de melhorar o calendário no futebol brasileiro. Alegam que o amontoado de partidas, torneios, campeonatos e decisões os exaure e não permite que joguem o “bom futebol” que dizem ter. “É desumano”, choram.

Sim, Flipper, entendi, então por que raios, assim que se encerram os campeonatos pelo Brasil, a trupe de jogadores, de todos os cantos do país, se reúne em convescotes futebolísticos para jogar peladas entre casados e solteiros, camisas x sem camisas, o time do Zé contra o time do Zeca? Todos transmitidos pelas TVs que vivem o ano todo puxando o saco desses caras e falando que há calendário demais.

Ah, fala sério!

Mas a situação que me incomoda, a parte os ixpecialistas em fisiologia humana de ensino fundamental, é o monte de jogadores que se vê, semana após semana, nas baladas antes, depois e se der, durante os jogos. Me convença, alguém com conhecimento abalizado, com artigos indexados, teses defendidas nas maiores universidades do planeta, que um atleta (eu disse atleta!) pode passar uma noite em claro, beber uma boa dose de álcool que chega a queimar os bafômetros, de tão alta a quantidade, e ainda ser capaz de desempenhar futebol necessário e competitivo. Repito: quero defesa de tese abalizada, não chutes.

Tic, Tac. Tic, Tac. Eu espero.

Claro que não há defesa disso. E se algum médico de clube ou preparador físico defender isso, que seja sumariamente demitido. E nem me apareça alguém dizendo que nas horas de folga pode. Não, não pode, cara-pálida. Em momento algum.

Um atleta de ponta, e hoje o futebol é um esporte de alto rendimento físico, não pode se dar ao luxo de ingerir álcool. Não vou aqui descrever as reações orgânicas que ocorrem, porque quem estiver interessado que vá pesquisar. Tu sabes quantas pessoas vão pesquisar sobre isso?

É óbvio que não há interessados. Mas é inegável que isso prejudica a atividade física sobremaneira, em qualquer momento, de qualquer atleta. Eu repito: em qualquer momento, de qualquer atleta. Muito menos passar noites em claro na balada, mesmo não bebendo nada. Até em casa, numa noite de insônia, há um risco de seu rendimento cair no dia seguinte. Imagine acordar com aquele bafo de guarda-chuva amarelo.

Quando o sujeito escolhe a carreira esportiva, se for bem orientado, saberá que tem as suas limitações, se quiser ter um bom desempenho. E se quiser se respeitado, também. Que não venha, depois de passar horas abraçado a Baco, pedir paciência e calma de uma torcida que o vê feito um zumbi retardado em campo, quando o time perde vergonhosamente e seja rebaixado em campeonatos amadores.

Por isso, aplaudiria com veemência se o tal Bom Senso viesse a público e dissesse que SEUS jogadores devem levar uma vida regrada e ter cuidados com a saúde e a carreira, que é curta e inglória, ou seja, usar de bom senso. Teremos essa manifestação? Claro que não. Nunca! O problema são os outros. É mais fácil culpar o dirigente que tirou dinheiro do bolso para contratar o sujeito que fornece vídeos e fotos bonitinhas de duas ou três jogadas em sua vida, quando estava sóbrio.

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Um comentário sobre “O bom senso dos outros

  1. Esse bom Senso é um assunto que merece uma boa avaliação.

    Se falarmos de profissionais, poderíamos levantar diversas possibilidades, mas se falarmos nas condições em que o futebol/atletas nos proporcionam, creio que a tendência é ir piorando.

    Faz umas duas semanas que o “Flamengo”, o todo poderoso, dono da maior torcida, da maior dívida do futebol brasileiro, o clube que arrastou multidões onde quer que jogasse, e que teve um público pagante de 300 e poucos torcedores em um dos seus últimos jogos.
    Público que podemos comparar aos amadores da ilha.

    E os atletas?
    Raros os que podemos considerar como verdadeiros atletas. O cara que se propões a ser um profissional do esporte, mesmo vindo de vida humilde, poucas condições de estudos,….sabe que a sua profissão depende do corpo. Porra, é só tomar um pouco além da conta, nós que não somos atletas, sentimos o peso da ressaca no dia seguinte.

    O bom senso deveria discutir os altos salários pagos a alguns “atletas”. Eles ganham muito mais do que a maioria dos diretores de empresas, e não falo de empresinhas pequenas.
    cem, duzentos, trezentos…mil por mês. Absurdo!
    Onde vamos chegar com isso?

    Como falei do Flamengo como o clube de maior torcida e que está nessa situação, dou exemplo também do Adriano “imperador”, craque de futebol e que fez fortuna, mas hoje está em um time de segunda linha com salários menores e contrato de risco por causa das bebedeiras – vexames – capas de jornais por assuntos extra campo.

    O Bom Senso do futebol deveria discutir com seriedade o futebol brasileiro.

    SdX

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