A escolha dos malandros pelo não-futebol

Sempre tive prazer no futebol e pelo futebol. É um esporte que empolga, anima, desanima, traz tristezas e alegrias. É a exposição da competição plena. Perder, ganhar, empatar são os resultados possíveis. Jogar mal ou jogar bem, dar olé ou tomar um baile faz parte deste esporte. Sentir uma emoção alucinada na vitória ou entrar em desespero numa derrota tem os mesmos pesos, cada qual no seu jeito. Gozar dos rivais quando os goleamos ou se esconder quando vencem estimula-nos a ir a campo no próximo jogo.

O futebol é bom e bacana exatamente porque é imprevisível, competitivo e dá um barato alucinante.

O que o agrupamento de moleques que envergam a camisa do Avaí faz, nos dias de hoje, não é futebol. Alguém pode chamar do que quiser, mas não pode dizer que é futebol.

Se o agrupamento de moleques que veste azul e branco estivesse entrando em campo, jogando bola e perdendo, eu ficaria indignado, mas voltaria no próximo jogo.

Se o agrupamento de moleques que veste azul e branco estivesse combatendo em campo, disputando bola, jogando o jogo, sendo duro na marcação, criando jogadas, se incomodando com as derrotas ou se emocionando na vitórias, isso seria futebol, e eu voltaria no próximo jogo.

Quando o Avaí caiu, em 2011, do Brasileirão, eu voltei no dia seguinte. Mesmo indignado, a caminhada tinha que ser refeita, porque é assim o futebol.

Porém , o que está acontecendo não é futebol.

O que estamos presenciando é uma afronta à competição. É uma entrega, não da parte física, mas da condição moral.

O que este grupo de moleques e malandros está fazendo não é apelo aos seus direitos de cidadãos ou de trabalhadores, mas uma degradante, desmoralizante e irresponsável decretação de morte de um clube.

O que este grupo de moleques e malandros está fazendo é o fechamento das portas da Ressacada.

Teria o imenso e enorme prazer em voltar a me incomodar com o futebol, em qualquer situação e para qualquer resultado.  Para isso aí, não. Para o que estão fazendo eu viro as costas.

Só voltarei a falar de Avaí, ir a estádio ou mesmo escrever, dar de dedos em corneteiros e oportunistas, apontado as falhas da mídia, da Federação ou debatendo com quem acha que tem a verdade nas palavras, quando este grupo de moleques, malandros, que resolveram acabar com nossos sonhos, for mandado embora, com uma mão na frente e outra atrás.

Do contrário, voltarei quando o futebol voltar.

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