A farsa pronta

No mundo atual, algumas pessoas enganam profissões, pontos de vista, pareceres e definições tudo isso para ou ser aceito pela maioria ou ganhar uns cascalhos verdinhos. No mundo do faz de conta, já diziam os teóricos religiosos, ter é melhor do que ser. E eu digo que parecer ter é melhor ainda, segundo essa lógica.

Ver um Roberto Carlos, denominado rei da música brasileira, trazendo uma legião de fãs na sua esteira, além de outros milhares de simpatizantes, sem contar toda a mídia, empresários, patrocinadores, fazendo propaganda de grife de carne soa estranho. Até ontem o sujeito era defensor ferrenho do vegetarianismo. Ao menos, na frente das câmeras.

Assistir a um craque como o Romário, que enquanto era jogador não era dado a comportamentos ditos adequados até se tornar um deputado e sair defendendo as causas nobres, fazendo comercial de cerveja, também ecoa uma esquisitice medonha.

Ver para um time como o nosso, que finge que joga alegando falta de salários, quando se sabe que boa parte dos atrasados já foram pagos e aí se sabe é que não querem jogar mesmo e os torcedores ainda de digladiam por alguns deles, é patético.

E agora, quando se esperava que um Tribunal, local onde se pensava que a justiça fosse aplicada com denodo, com retidão, ela mesmo sendo o significado da igualdade e do equilíbrio, constatar-se que é apenas o átrio de torcedores togados, desempenhando uma ópera-bufa, uma farsa, faltando apenas hastear bandeiras tremulantes, é de se pensar que as coisas se encaminham para um lado obscuro da civilização. O lado da mentira, da burla, do embuste, da falta de honradez.

Quem me conhece sabe que não sou defensor do moralismo barato e abomino o politicamente correto, mas tem coisas que são intragáveis. Eu queria, sim, que os jogadores do meu time fossem punidos, bem como o apitador daquela partida, da mesma forma que os jogadores doladelá. Estavam todos juntos no mesmo balaio e todos foram protagonistas, sem tirar nem pôr. Foi o jogo que todos vimos e passado pela TV para milhares de testemunhas.

As decisões do TJD-SC tomadas nesta terça-feira, contudo, referentes aos ocorridos no último clássico entre Avaí e Figueirense, com um desequilíbrio absurdo e movidas apenas pela raiva acumulada de torcedores fanáticos e vingativos, ferem de morte o próprio futebol, que antes era apenas um entretenimento e vai se tornar uma batalha tribal.

O TJD-SC transformou-se num camarote particular de um time de futebol. Faltou justiça e sobrou desfaçatez. E a vontade que qualquer pessoa de bom senso tem é desistir disso tudo.

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