O time dos marias moles

Claro que o título aí sugere aquelas animações feitas de debilóides para tansos, mas é o que parece que estamos passando. Eu já disse, por diversas vezes, que seria muita decepção se constatar que o time do Avaí deixa de jogar apenas e simplesmente por falta de salários. Em qualquer clube isso é deprimente, ressalte-se. No nosso é uma estultícia. E que nenhum cretino pense que eu esteja achando que jogadores do futebol profissional podem jogar de graça e de qualquer jeito e que o clube não precise honrar seus compromissos. Não é nada disso. É que futebol é diferente de um chão de fábrica.

Seria muito simplista dizer que basta uma carteira cheia e a conta bancária em dia para que o time avaiano exerça a sua função primária e para a qual foi criado, que é jogar futebol e vencer jogos. Porque, se fosse assim, todos os times de futebol do mundo com salários em dia ganhariam e teríamos campeonatos terminados empatados. Ou seja, é uma lógica furada.

O que se vê é que o time avaiano não joga futebol porque não quer jogar. Seria deficiência técnica, segundo o atual animador de torcida afirmou? Mas isso, em muitos lugares, é contornado com alguma raça e um pouquinho de determinação, coisa que está muito longe de se ver nesse time atual vestido de azul e branco. Há um amorcegamento absoluto em campo.

Estamos, os torcedores que ainda acompanham e se importam com alguma coisa do Avaí, pois uma grande parte já desistiu e está montando canchas de curling pra jogar em Palhoça no próximo inverno, fazendo análises sócio-culturais-psicológicas sobre esta realidade azul e branca que nos incomoda. E não nos conformamos.

Estamos procurando pêlos em casca de ovo. Aquela cabeça de burro enterrada ali há anos tem a sua culpa? Quem sabe seja isso? Ou seria a bruxa dos Carianos (sai, bruxa!, lembras?)? Ou ainda seria o excesso de maruim? Ou uma passeata dos caranguejos em protesto, todos com máscaras, cujo habitat, o mangue, está sendo degradado a olhos vistos? Quem sabe uma assombração ronda nosso reduto? Ah, já sei, é a herança maldita, o alvo a ser caçado em cada coisa que ocorra no estádio de tijolinhos à vista, igual aos portugueses que fundaram o Brasil e hoje todo mundo “esperto” culpa a razão de nossas mazelas tupinquins a isso.

Bom seria se o Zunino nunca tivesse aparecido por lá, né? Ou se a chapa preta tivesse ganhado? Busca-se no passado, como é natural no humano incapaz, as razões de nossas agruras no presente. Algumas vezes ingenuamente, outras por puro escárnio ou deboche. Tá lá no livro do Freud, pode ler, o capítulo que fala em ato falho.

O fato real e verdadeiro é que alguém mandou estes jogadores tirar o pé. Isso é notório. Qualquer diretoria aí, nos últimos doze anos, seja dos brancos ou dos pretos, passaria por isso. Não adianta buscar no obscuro e no imponderável. Boleiro quando assume o clube, ninguém os domina, com ou sem salários em dia. Quem já bateu uma bolinha, mesmo aquela de solteiros e casados, ou camisa/sem camisa no churrasco da praia, sabe como isso funciona. Não existe nenhum sentimento messiânico, uma conscientização de valores baseada no capital versus trabalho, uma exposição de melhores condições de lavoro ou algo que o valha. Bobagens! É a famosa tirada de pé pura e simples.

Seja por ordem de empresário, por murrinhas existenciais, por melindres diversos, um mimimi incrustado, ou por sacanagem mesmo, os caras que envergam nosso manto sagrado não querem jogar. Não é nem por aquela questão de deficiência técnica, a tal da qualidade, essas coisas do mundo marqueteiro do futebol e suas linguagens e tolices.

Há quem ainda ache que este treinador resolverá alguma coisa, como não resolveram os anteriores, alguns por falta de coragem outros por incompetência mesmo. Nem carisma tiveram, como este não tem. Quem sabe agora a desculpa seja o excesso de trabalho por treinarem em dois turnos, coisa que não havia antes.

Resta saber, após isso tudo, após toda essa barafunda, quando que nós, pobres mortais e imaculados torcedores, seremos avisados que o futebol voltou e se poderemos tornar a gritar time de guerreiros e comemorar alguma coisa.

Porque, até agora, do jeito que está o que se vê é uma tremenda palhaçada, feita por debilóides para tansos. De todos os lados.

Quando o último sair, favor apagar a luz porque a conta é cara.

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2 comentários sobre “O time dos marias moles

  1. Aguiar, perfeito o comentário.
    Só me pergunto quem orienta esses jogadores? Os pais, os empresários, os procuradores ou o MAL?
    Será que ninguém diz a eles que, o efeito Vampeta, é a pior jogada que eles podem fazer?
    Se o salário está atrasado com o time ganhando, vai ficar pior e mais atrasado com o time perdendo. O clube do tamanho do Avai ainda vive de renda, seja dos jogos ou das mensalidades dos sócios. E para isso tem que ganhar jogos.
    Estou tão enfurecido com esses jogadores que, se tivesse poderes, demitiria todos, independentemente de dinheiro. Está ruim financeiramente, ficará pior, mais o time novo não vai fazer o que estes estão fazendo.
    O que acho estranho é que mais da metade do elenco está em dia, pois o salário de janeiro já foi pago e eles naoestão jogando.
    abs

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