Síndrome de mulher de malandro

Tenho lido, ouvido e assistido muita coisa em relação à realização da Copa do Mundo de futebol, que ocorrerá daqui a alguns meses em nosso país. Há muita gente de cara feia reclamando de uma porção de coisas, dos que ficam nas filas dos hospitais, das escolas caindo aos pedaços e dos carros “estacionados” nas estradas Brasil afora. Isso sem falar em falta de água, luz, telefonia móvel ultrapassada, preço da cebola, do tomate, da cerveja e do creme de barbear.

A Copa virou o bode colocado na sala. Se o vizinho briga com outro, se o marido dorme na garagem ou se o gato morde o rabo do cachorro, o problema é a Copa.

Não, o problema somos nós.

Se não fosse a murrinha política encravada nessas ruminações, porque ser contra a Copa é ser contra o governo federal e isso dá status, seria a nossa eterna mania de reclamar sem noção mesmo. E reclamação por reclamação.

A coisa acontece exatamente assim: vamos fazer um churrasco. Então nos dirigimos ao supermercado e sabemos de antemão que terá filas, tanto na rua como nos caixas. Compramos a carne, que está cara, algumas cervejas e vamos pra casa. Montamos a churrasqueira que não puxa fumaça, botamos a cerveja a gelar naquele freezer velho, e ao abrir o pacote de carne nos deparamos que está passada, com aquele cheiro fétido e insuportável de carne estragada que infesta o ar.

Mas vai assim mesmo, afinal, temos que comer o churrasco.

Claro que o sujeito irá tomar a sua cerveja meio morna, meio quente, comerá uma carne de sabor ruim, a gordura já lhe faz mal há tempos, mas ele não dispensa um pedaço de carne, e os vizinhos reclamam que aquela fumaça está insuportável, mas pulam o muro pra tomar uma cerveja contigo. É assim, temos que comer um churrasco, não podemos passar sem isso.

Dessa maneira, será do mesmo jeito durante a Copa. O governo será achincalhado, continuaremos a ver gente nos hospitais em filas, escolas vão fechar por falta de condições estruturais, carros vão continuar andando entre 1ª. e 2ª. marchas e a nossa vida será a mesma. Porém, milhares e milhares de “reclamadores” sentará frente à TV para assistir àquela seleção preferida, o jogador famoso, a camisa mais bonita. Ou insistirá para que o chefe o libere mais cedo para ver o jogo do Brasil. A quantidade de férias tiradas durantes o período da Copa irá onerar o caixa das empresas. As ruas e calçadas serão tomadas a cada rodada em que o Brasil vencer. E o sentimento pátrio aflorará em cada esquina.

Como fazem torcedores dos times de futebol comuns, que reclamam da CBF, das Federações, das heranças malditas e tudo o mais, porém não largam o pé dos estádios, não deixam de acompanhar o seu time, lêem todas as notícias existentes e as inventadas sobre esse ou aquele jogador vagabundo e mercenário e choram de paixão quando o time é campeão mesmo esbravejando aos quatro ventos que os campeonatos são arrumados.

A pessoa te engana e tu a destrata. Se ela voltar a te enganar, quem merece ser destratado és tu, sem dó.

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