Ídolos de palha

É bom se deixar bem claro, porque alguns cheiradores de cuecas de jogadores parecem não entender, ou se fazem de desentendidos para ter passe livre em camarote ou ganhar camisa, brindes e cervejinha de graça de seu ídolo, seja torcedor ou jornalista, que a vergonha que estamos passando com esse time do Avaí não é porque perdemos para um Brusque esforçadinho tomando olé dentro da Ressacada. Não é porque ficamos de fora de mais uma decisão de título e vamos para uma parte do campeonato disputando as sobras. Isso faz parte de uma competição, ganhar, perder, conquistar ou ser derrotado.

Saber perder é tão importante quanto comemorar uma vitória. A gente cresce com as amarguras da vida e se alastra com a felicidade.

Compreender que tem dia que é noite e tem noite que não amanhece forja o sentimento humano. Todos passamos por reveses na vida. E eu não sou burro de pensar que teríamos que vencer sempre. Nem mesmo imaginar que um jogador seja um super-herói a cobrar escanteio e correr para cabecear.

A vergonha é pela leniência, pela falta de vontade, pela displicência, da falta de respeito à história do Avaí. Ser ídolo não é colecionar títulos, mas compreender as dificuldades e ter consideração com a instituição. Com a instituição, eu disse, pois ela representa o todo. Desde o Alemão na sua barraca vendendo cervejinhas para torcedores até o patrocinador mais abastado, passando por torcedores, diretores, simpatizantes, mídia e até os quero-queros.

Uma porção de inconsequentes pôs nas costas de Émerson Nunes o fracasso disso tudo, ou porque ele colocou na reserva o idolatrado e cansado Marquinhos, todavia se esquecem que ele entendeu o problema do clube e deu a cara a tapa. Não estou discutindo o lado técnico, coisa que ele tem muito a aprender, mas exalto o lado profissional de assumir riscos e desafios. Se não foi competente na arrumação de um time, foi homem o suficiente para tentar fazer a parte dele. A parte que cabia ao seu Marcos de Biguaçu, ao seu Cléber de Olinda. A parte que cabe a Eduardo Costa, e até ao seu Diego.

É destes jogadores que se espera sangue nas veias. Eles é que devem entrar com bola e tudo nas redes adversárias. Eles é que tem que sujar o calção e deixar a camisa tão suada que deve ser jogada fora depois.

Embora o ache um pereba, não vou cobrar de Betinho o erro estúpido nas finalizações. Muito menos uma falha gritante de marcação de Bruno Maia. E nem o medo de jogar de Eduardo Neto. São jogadores que sequer conhecem nosso hino ou mesmo a nossa história. Suas vidas no futebol se resumem a isso mesmo e a natureza dará um jeito, não há mais o que exigir.

Mas dos “mais velhos” eu cobro atitude. Cobro de quem tem história no futebol. Cobro dos veteranos. São os capatazes da fazenda e se a produção de hortaliças deu bicho, devem ficar até de madrugada plantando tudo de novo. Ou então, se não estiverem contentes, que saiam e dêem lugar para outro.

palhaAté agora não é possível entender como se jogou tanto dinheiro fora com estes ídolos de barro. Aliás, barro, não, porque barro ainda tem consistência. A palha é o melhor significado, pois se desfaz à menor pressão e se deixa levar pelo vento.

Tomara que essa fase passe logo e se entenda, de uma vez por todas, que ídolo a gente guarda numa estante. E só.

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