O menino, o velho e o Galego

Ontem um menino destes de internet, destes que numa mão seguram o mouse e na outra seguram outras coisas, quis tentar me encurralar com uma postagem do ano passado a respeito do Marcos Santos, o jogador que chamam de Galego de Biguaçu. Pois o menino republicou uma postagem que meu amigo André Tarnowsky repercutiu em seu blog.

Naquela postagem, eu elogiava o tal de Marcos. E o elogiava muito, como sempre fiz.

Agradeço, inclusive, a este menino por ter re-postado isso, porque ali se mostram, exatamente, as mudanças que ocorreram. Mudanças em minha opinião, por exemplo, coisa que para essa gente não vale muito, a não ser quando querem parecer engraçadinhos, mas, principalmente, mudanças na conduta deste jogador.

Aliás, só quem muda de opinião são as pessoas que as tem, algo que muitos destes adolescentes punheteiros de internet sequer sabem o que significa. O negócio deles, na imensa maioria das vezes, é destilar raiva, ódio, rancor, ressentimento e por aí vai. O principal ódio que revelam no dia a dia, nas redes sociais e na blogosfera avaiana, é sobre a famosa eleição de Novembro para o Conselho Deliberativo do Avaí, pleito que eles davam como praticamente ganho, pois tirariam o CD de bandeja da mão dos velhos, velhos como eu, o André e tantos mais, e tomaram foi uma lavada sem igual. O inconformismo, a partir disso, foi grande, coisa que alguém com mais de dois neurônios percebe tranquilamente.

Acho até engraçado quando a turma desse menino diz não me conhecer, que nem sabem qual é o meu blog, mas frequentemente adotam este tipo de conduta, de tentar me pôr numa saia justa com minhas postagens. Tansos!

Mas eu quero falar é deste jogador. Houve um tempo onde havia uma razão de se ter o tal de Marcos no Avaí. Houve um tempo no qual este jogador nos enchia de orgulho. Houve um tempo em que aplaudíamos suas jogadas e reverenciávamos sua postura, típica de um avaiano, acima de todas as coisas. Houve um tempo no qual ele defendia o Avaí com garra, com força, com qualidade e talento, atuando como um torcedor dentro de campo.

Naquele tempo o elogiávamos e brigávamos contra quem quer que fosse por destratá-lo, o mínimo senão era motivo para abrirmos caras feias. Ai de quem olhasse atravessado para o Marquinhos Santos. Ai de quem levantasse uma palha, uma vírgula, quem escrevesse um sinal de exclamação a respeito dele e que não fosse de nosso agrado. E por quê?

Porque este jogador tinha alma, a alma avaiana em campo, a raça, a conduta, o denodo, a coragem, o pé que cada torcedor usava para botar uma bola no gol. O jogador que nos fez encher os olhos de lágrimas naquele histórico jogo contra o Bahia, em 2008. Jogador com o qual brindamos a permanência na série A, em 2010, naquele jogo maluco e alucinante contra o Santos de Neymar.

Este era o jogador que eu defendia, contra tudo e contra todos.

Hoje, isso não existe mais, ficou apenas uma vaga lembrança. Hoje ele entra em campo cansado e desmotivado, e não dá a mínima quando jogadores precisam de seu futebol e o exigem um pouco mais. Pouco se importa quando torcedores clamam seu nome. Hoje, mantemos apenas um retrato na parede, porque o craque dentro de campo, o torcedor-jogador que idolatrávamos está em outro mundo, em outra dimensão. Dizem que é por salários. Se for isso a decepção é maior ainda. Pois é aí que a coisa aperta, uma vez que, quem veste o manto sagrado azul e branco deve honrá-lo, acima de todas as coisas e sob quaisquer adversidades. Um avaiano sabe disso. Não sei mais se ele, Marquinhos, sabe.

A história e o ídolo ninguém apaga. Isso ficará gravado para sempre. Mas a conduta atual deve ser esquecida, porque envergonha a qualquer torcedor. Ai de quem disser que não sabemos reverenciar um ídolo. Sabemos, sim, o que não aceitamos é corpo mole por meras picuinhas existenciais. Triste do time cujos ídolos são apenas uma lembrança.

Que bom que estes meninos me dão estas oportunidades. Porque, por conta própria, não tenho mais saco para falar deste sujeito.

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2 comentários sobre “O menino, o velho e o Galego

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