Dando nó no saco

Estava lendo dias destes um artigo de neurociências sobre o stress. É dito um mal da civilização moderna, haja vista que em tempos imemoriais não se falava disso e etc. O stress é o que mobiliza várias clínicas e profissionais da área psicológica atualmente. E é o que gera gastos astronômicos em empresas nos dias de hoje. Porém, o stress faz parte de nossa fisiologia e é necessário para nos manter vivos.

Se numa faculdade um sujeito fará uma prova, daquelas de fim de semestre em Física Nuclear ou Biologia Molecular, ele tem que estudar muito. Lê o dia todo, toma um café reforçado para ler e estudar de madrugada. E se der tempo lê, em pé, no ônibus. Quando é um gerente de grande companhia ele planeja, calcula, faz análises críticas, elabora metas e projetos de alto impacto. Sai um bagaço no fim do dia. Este sujeito acaba tendo o tal do stress mental, necessário para formatar os cérebros e aumentar as sinapses. Depois, o danado sai pra tomar uma cerveja com os amigos, come aquele camarão pegado ali no Ribeirão e tá tudo certo.

Agora, o cidadão é construtor e saiu debaixo dessa torreira de sol para fundir uma laje num prédio. Mexeu massa de concreto o dia todo, suou vinte camelos, a pele está escamosa, ele não consegue mais levantar o garfo para traçar aquele feijão com carne moída e batatas fritas na janta. Mas bastou uma ducha gelada no lombo, uma boa noite de sono, um travesseiro molinho, depois o café da manhã com pão e mortadela e está pronto para mais duas lajes. É o chamado stress físico, decisivo para ativar a circulação, pulmões e músculos, e facilmente solucionado após uma noite de descanso.

saco cheioPorém, a síndrome amaldiçoada dos nossos dias é o stress doentio e irremediável, de algo que te martela dia e noite e não se acha uma solução imediata. Não se atura mais nada. Qualquer bom dia é revertido em um POR QUE? A baixa autoestima, palpitações e suores frios são os principais sintomas. A angustia é um reflexo inarredável. Não se tem mais paciência para nada. Chama-se a isso de stress moral, o stress em sua forma mais dramática.

É o que passa, agora, a sentir a torcida mais apaixonada de Santa Catarina. Ultrapassamos o limite da tolerância. Não há cervejinha com os amigos e nem travesseiro molinho que resolva. O saco já deu dois nós no tornozelo e já escorre pela ladeira.

E tu aí, tás olhando o quê, ô?

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