A necessidade da troca dos ídolos

Há uma corrente por entre a torcida avaiana que lamenta de dar dó uma provável saída de Eduardo Costa e de Marquinhos Santos. Assim como lamentaram a de Hémerson Maria. Viuvez à parte, eu não lamento e nem aplaudo, mas entendo que isso é do futebol. As tarefas são dadas a quem opera e quando não se obtém resultados a porta da rua é serventia da casa.

O Avaí Futebol Clube, neste agoniado 2013, fez aquilo que se apregoa por todos os cantos do mundo da bola como o modelo para se montar um time. A cartilha ensebada, que muito entendido gosta de nos esfregar na cara, é que todo time precisa ser formado por uma linha, uma espinha dorsal. Um bom goleiro, um bom zagueiro, um meia de contenção, um meia armador e um atacante. O restante da equipe se adequará a este grupo principal.

O Avaí efetivou Diego, que apesar de algumas falhas, é experiente e sabe o que faz debaixo das traves; Leandro Silva, esperado como o xerifão azurra e que não vingou; Eduardo Costa, um excelente volante de marcação, com currículo invejável no futebol nacional; Marquinhos e Cléber Santana, que dispensam comentários. Nenhum deles jogou a contento, ao ponto de decidir que o time avaiano tinha muito mais cancha que o papel mostrava. Tivemos, claro, lampejos de um futebol admirável com esta linha, que poderia estar em qualquer lugar do futebol brasileiro e até mundial. Mas, ao longo do campeonato, essa arrumação foi pífia.

Se tem um sujeito que mais defendeu (e defende) Marquinho Santos sou eu. Me indispus com muita gente por causa disso. As críticas feitas, os acesso de ira, as vaias direcionadas a ele em nada colaboravam para melhorar seu futebol. Não é apontando os dedos a alguém que se fará com que os seus resultados apareçam. Mas Marquinhos é avaiano. Não tem que provar pra ninguém a sua paixão. Já demonstrou isso em todos os lugares. E Marquinhos entende de Avaí, da sua estrutura, da sua história. E não passou de um bom jogador no ano.

Assim como Eduardo Costa, embora sua vivência com os humores da Ilha e do Avaí tenham sido demonstrados agora, efetivamente. Da mesma forma Diego, que conhece as coisas por aqui e como elas são. Igualmente Cléber Santana, que fez força para voltar ao Leão da Ilha. Ao mesmo tempo Leandro Silva, que teve a exata medida do quanto a nação avaiana torcia por ele. Além de tudo, tivemos Hémerson Maria, um sujeito criado noladelá e que diz ter-se tornado avaiano por osmose, dado ao que conquistou por aqui.

No entanto, estas pessoas sabiam das dificuldades, conheciam como as coisas eram e, ao que parece, o ego falou mais alto. Sabe-se, agora, que briguinhas internas, resmungos, caras feias, cobranças indevidas e imposturas de vozes acabaram com um sonho. O particular falou mais alto que o coletivo. Se muita gente reclama da ausência de presidente, supervisor, gerente de futebol, animador de torcida ou coisa que o valha nos vestiários, eu reclamo dos caras que se diziam avaianos e nada fizeram para mudar o quadro. Não era uma andorinha fazendo verão, eram cinco jogadores experientes e tarimbados que poderiam fazer uma mudança climática absurda nessa série B. Meio time de legítimos avaianos e que pularam do barco antes de naufragar.

Por isso, não lamentarei se alguns ou todos estes tidos como ídolos avaianos forem embora.

Porque a decepção não se cura. Ela se ameniza, ela se afasta, mas jamais será esquecida. Então é melhor não conviver mais com isso. Foi bom enquanto durou, mas será fatal ao se manter.

Se forem embora, que façam uma boa viagem. Se por um acaso ficarem, que aprendam a lição do Silas, dita certa vez: “joguem por cem hoje, para obter quinhentos amanhã”.

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2 comentários sobre “A necessidade da troca dos ídolos

  1. Excelente explanação. Ainda que possa divergir muito levemente de alguns pontos, penso ser uma síntese bastante verídica da situação. Gostaria que os chamados ídolos ficassem, pois vejo neles futebol suficiente para levar o Avaí a seus objetivos, embora o imponderável do esporte e o melhor equilibrio no elenco seja fundamental. A saída dos mesmo não seria nada arrasador, principalmente após o insucesso do acesso, porém fico a me perguntar?? será que a reposição seria a altura, em se tratando de Avaí é bem improvável…

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    • Fabio, a questão é exatamente essa, a necessidade da troca. O Avaí tem que largar seus esqueletos que se mantém dentro do armário. A cada temporada lembramos dos lincolns, clébers, émersons, Hémersons, marquinhos, willians e evandos que já nos deram glórias e alegrias. E quando surge um jogador candidato a ídolo, ou que queria apenas jogar, ele tem que se desdobrar mais do que o normal para passar essa fase de iniciação. Ou então é execrado e nunca mais pisa na Ressacada. Não dá mais pra ser assim, a gente tem que crescer.

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