Gastar para economizar

No começo desta temporada, quando tivemos a confirmação de contar com Marquinhos Santos no time, os olhinhos de muitos torcedores brilharam. Era só contratar mais um meia, que estava assegurada a condução de um bom time de futebol, dizia-se. A montagem do time deveria envolver jogadores sem muita repercussão nacional, mas ainda se poderia contar com a contratação de Eduardo Costa. Ou seja, a formatação do HD avaiano para a temporada seguia a risca os conceitos de ter um time competitivo, de custo razoável e com alguma boa experiência. Contudo, faltou investir num atacante de ponta e foi aí que nossos problemas começaram.

Por outro lado, veio Cléber Santana. A mídia daqui odiou porque seria a consagração de um meio de campo que deu de relho no time pelo qual eles babam. Sugiram, daí, as insinuações de brigas entre os dois e o resto todo mundo já sabe. Porém, se esta configuração surtisse o efeito desejado, tanto eles como torcedores murrinhas teriam que engolir a língua.

Como eu não sou oportunista de comentar resultados, e portanto não estou aqui para execrar tudo após o fracasso da temporada, creio que a fórmula deve ser mantida. Todavia, deve ser mais bem avaliada. Muito bem avaliada. Precisamos ampliar estes investimentos.

O Avaí seguirá fazendo dívidas, sim, senhor. Os românticos que se conformem, mas não somos a Chapecoense. Estamos muito longe de fazer times de jogadores tirados do fundão do Paraná, Mato Grosso ou Rio Grande do Sul. Muito menos manter técnicos brucutus, cujas palavras mais proferidas são “vamos lá” e “pega, pega”. O patamar ao qual o Avaí chegou precisa ser avançado.

No entanto, o que vejo por aí, até da própria diretoria avaiana, é o discurso da poupança de porquinho. Economia de palito ou de papel higiênico. Não devemos é gastar exageradamente, ser perdulários, sair por aí fazendo papagaios nos bancos e depois não tendo como reverter, mas devemos gastar, sim, desde que seja com parcimônia. Não é montar um time de grife, um Barcelona tupiniquim, mas começar a pensar alto. Como as categorias de base, uma poupança sólida se bem investida, ainda está longe de gerar frutos, o negócio é optar pelo outro lado.

Muita gente sem conhecimento gerencial vive apregoando que temos uma dívida monstruosa e que só se acumula. Sim, temos. Ela é grande. E vai crescer, que ninguém tenha dúvida. Times de futebol são diferentes de empresas comuns. Eles vivem de dívidas, pois não há linha de produção. É preciso dizer isso?

No entanto, as dívidas no Avaí são administráveis, como bem disse um dos intelectuais da tal oposição recentemente e que já esteve lá dentro. Ela é definida e direcionada. Dessa forma, é reversível, coisa que não se vê em vários times de ponta do futebol brasileiro.

E uma dívida no futebol se reverte com resultados. Ganhar campeonatos e fazer boas apresentações chama investidores. Agrega expectativas. Traz torcedores. Faz surgir créditos positivos. No futebol, é preferível gastar para obter resultados, do que desembolsar ativos para pagar rescisões de quem não jogou. E é nisso que a administração avaiana tem que direcionar seu foco, na formação de um time forte e que dê resultados.

A conta será salgada, mas as conquistas compensarão. É só esperar.

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