A marcha da mediocridade

Neste mundo do futebol, onde a razão vai pelo ralo a cada cusparada, respeito é uma moeda de dois reais. Aliás, não se respeita resultado de eleição, quanto mais uma opinião, como é o que se está vendo neste processo recém realizado no Avaí Futebol Clube. A eleição para o Conselho Deliberativo foi há dias, mas tem gente em campanha ativa ainda, inconformado com os resultados e já montando uma administração paralela.

São muito curiosas as reações após as exposições de ideias no dia a dia. Pela internet, então, cuja forma rápida de se interagir impede um raciocínio mais elaborado, imediatamente se formam conceitos muitas vezes equivocados. E aí, as guerras são declaradas. Conceitos sobre reputações e agressividade flutuam ao sabor das marés. Imagine pedir calma e ler de novo. Se a ordem é fazer textos curtos, mandar ler já é ofensivo, ler de novo, então, é uma afronta.

Nesse meio, que é válido até para outras coisas da vida, muito se fala que quem defende um ponto de vista incondicional é fanático. Todavia, o que se denomina fanatismo para alguns, é ponto de vista para outros. O problema destas definições é que ninguém respeita as opiniões. Ou está contra ou a favor, mas raramente se vê coexistência pacífica entre pontos de vistas contrários. Há uma disputa tácita reinante. Parte-se do princípio que o derrotado num debate, ou em qualquer peleja, foi roubado ou lhe passaram a perna, seja em qual circunstância for. E, imediatamente, sobram ofensas, porque ninguém pode se sair vitorioso, era só o que faltava.

A discordância de ideias está levando a intimidações levianas e covardes, com olhares vis e línguas soltas, numa atitude francamente raivosa.

– Você tem que ser favorável a mim, porque se não for, é mais um deles – é a sentença proferida sem nenhum remorso estampado.

Confesso que a minha pilha já estourou dentro do raidinho faz tempo e eu que sempre defendi o debate de ideias já perdi a paciência. Não é do meu feito, mas não tenho mais saco para a mediocridade em voga. Não para ideias discordantes, mas para a falta de compreensão de que o diferente tem os mesmos direitos do igual.

Eu achava, ingenuamente, que poderíamos nos encaminhar para um entendimento, as partes contra e a favor do Zunino num bloco só em prol do clube, que tem dificuldades, mas está claro que as pessoas que se dizem democráticas o fazem da boca pra fora. E tudo é (mal) interpretado de acordo com a vontade do freguês.

Há gente babando pelos teclados, tendo orgasmos de indignação, exasperando-se porque a situação ganhou, insuflando uma vingancinha sem-vergonha, tudo porque suas necessidades de torcedor contra o Zunino não foram atendidas. Tudo porque foram derrotados. Estou, exatamente, analisando esta coisa imbecil que se está criando, e aí eu faço aqui um discurso de mocinho e bandido? Dá licença, mas é muita idiotice!

Estas eleições foram ótimas num sentido: muita máscara caiu e muita cara de pau saiu do armário. Gente que posava de poliana está saindo de sua zona de conforto e mostrando quem realmente é, ou seja, cordialidade zero. E torcemos para o mesmo clube, imagine se fôssemos rivais.

Se alguém pensou num processo para fazer crescer o clube do ponto de vista da interação e do respeito às instituições, esqueça. É bem coisa de arquibancada mesmo, onde o que vale é quem grita mais alto.

A ideia é manter o ódio, que embota o cérebro. Vale até torcer contra, que o clube se estrepe, que vá até a série D, mas a tese contra isso que está aí tem que ser mantida.

Neste show de horrores, se Freud estivesse vivo ficaria rico de tanto paciente a ser tratado. Deosolivreô!

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s