O pior time do mundo da última semana de todos nós

Passado o período cívico-avaiano de eleições, onde a chapa da situação consolida o bom trabalho efetuado pelo Zunino ao longo destes 11 anos e a oposição aplica o chororô característico dos perdedores, voltamos ao esporte bretão, razão de nossas agruras.

O futebol que eu aprendi a gostar contava com jogadores que se dedicavam ao clube, à carreira, jogavam com raça e destemor. Após uma temporada de dedicação e sem vaidades, cada jogador fazia um bom contrato de renovação ou partiam para vôos mais altos. Isso no tempo em que se jogava futebol, em qualquer época.

Hoje, a única coisa que se sabe é que no fim do mês dos boleiros deve sobrar algum para baladas, para comprar o carro da moda ou a roupa de marca. Claro que não estou falando do Avaí, time que foi composto nesta temporada, em sua maioria, por evangélicos fundamentalistas, cujo único intuito era manter o nome do Leão da Ilha em evidência. Foram eficazes!

Mas isso é, essa postura messiânica, um erro estratégico, afinal, cadê a graça do futebol-mercado se o nosso time for muito certinho? O PPV não vende e os times top de linha do futebol brasileiro não despontam. Time bom que se apequena é aquele que deixa os grandes ganharem, de preferência de goleada. Alega-se, então, que faltou dinheiro, que deram o melhor de si, que os deixaram na mão ou qualquer desculpa chorosa-comovente, cujo intuito é se safar de uma vaia da torcida. No fundo, no fundo, o que se quer é vadiar.

Para manter a lógica de sempre se dar valor aos grandes clubes faço uma proposta à próxima diretoria azurra, agora sabida que serão os insistentes da situação: reformular o elenco com o que tem de pior por aí. Sim, ainda dá para fazer. Chegaríamos ao topo como o time de pior rendimento dos campeonatos, não seria uma beleza?

Começaria pelos goleiros. Nada de goleiros fecha-portas. Que é isso? Goleiro que é bom para fazer o pequeno se apequenar tem que tomar uns franguinhos. Afinal, futebol só é futebol se tiver gols, independente de onde sejam. O goleiro tem que ser baixinho, gordo, sem elasticidade, que jogue avançado, não saia do gol nos cruzamentos e não saiba cobrar tiros de meta ou tenha boa saída de bola. De preferência que tenha uma pustema incurável na coxa, de forma a que, quando se precisar dele, o DM seja sua guarida.

Os zagueiros devem ser duros de cintura e fracos na impulsão, de preferência com bagageiro volumoso para ter dificuldades de equilíbrio. Sem essa de zagueiro com boa estatura, forte, ágil e que dê cobertura aos laterais. E que não tenham recuperação alguma, onde já se viu? Os atacantes têm que entrar nas suas costas com muita facilidade.

Os laterais devem sofrer de pianço crônico. Lateral bom de time pequeno é aquele que só vai e não volta, deixando uma avenida às suas costas. Deve marcar na linha de lado do campo, por fora, que é para o atacante ter chances de ir até à sua área e poder cruzar à vontade. E o lateral bom, para os outros, deve cruzar com chutões. Nada de bola na cabeça dos atacantes.

Os volantes tem que ser daqueles de pimbolim. Jogar em linha, duros, sem recuperação. Que marquem de longe e quando chegarem junto dar uma cacetada para tomar logo um amarelo e afrouxar na próxima marcação. O volante de time pequeno não pode, jamais, ter saída de bola. Imagine armar um contra-ataque. Era só o que faltava.

Os meias armadores podem ser fininhos, habilidosos, mas nunca definidores. Um bom meia de time pequeno deve ciscar, ciscar, mas nunca definir o que fará com a bola. Alguns podem ser medalhões, já em fase de encerramento da carreira, vindos para buscar uma graninha mole sem fazer esforço, com discurso salvador-libertador para enganar a patuléia emotiva. Cobrar faltas na barreira e escanteios sem qualquer perigo é a atitude requerida. E se esconder, se omitir quando o jogo ficar encardido.

Os atacantes, então, são a peça principal de um time pequeno e que não quer incomodar os grandes. Brucutus, lerdos, caneludos e sem poder de definição. Os jogadores ideais para não fazer gols. Seriam os artilheiros negativos, ou quase zagueiros adversários.

O treinador, por sua vez, deve ser daqueles motivadores-emotivos, que chora a cada vitória e põe a culpa nos pardais e quero-queros quando perde. Não precisa entender de futebol, basta saber três ou quatro palavras de difícil compreensão para ser ditas nos momentos de entrevista.

E, o principal, um jogador sindicalista, desses arrumadores de grupo, que nem precisa jogar, mas que faça a cabecinha dos menos escolados quando uma direção pedir um pouco mais de calma e paciência.

Contratando um elenco destes com certeza teríamos das piores campanhas de qualquer campeonato, o suficiente para sermos achincalhados, mas permanecermos na mídia. Até porque, para formar os tais time-família, antes, os jogadores devem se aliviar de vaidades e egos, e isso para time que quer virar chacota tem que ser mantido.

Bom, parece que já vimos isso por aí. Ah, sim, claro, os bajuladores e namorados de jogadores detestariam tudo isso.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s