A porção de chuchu

Na publicação A queda do líder, sobre o depoimento do Marquinhos Santos, o grande Sergio Bayestorff fez um comentário onde perguntava se Caiu ou enfim conseguiram derrubá-lo? Confesso que não sei a resposta. Se é que há.

Nesta noite na qual o Avaí garantiu sua permanência na Série B por mais um ano, convocando a todos a apoiá-lo na próxima temporada, felizes alegres e saltitantes, assisti ao jogo entre Guine Equatorial e Espanha. Sim, eu tenho paciência. Era um jogo que não valia nada pra coisa alguma, se não fosse um fato inusitado: os dirigentes da seleção africana ofereciam 50 mil dólares a qualquer jogador de seu time que fizesse um gol na poderosa e inesgotável Espanha. E mais: davam 5 milhões à turma se vencessem o time de Castela, Aragão e Galícia.

Claro, virou um acontecimento. Torcíamos para que os alegres rapazes da Guiné conseguissem uma graninha pra comprar seu Fusca zero bala.

Pois é isso que virou o futebol, uma entrega pelos millones que saem desse bolso para aquele. Aquela coisa romântica, na qual só os bocós e torcedores do Avaí ainda acreditam, de fazermos pelo futebol, se acabou senhores e senhoras.

O negócio agora é quanto vale o meu gol.

Dirão agora madames e virgens vestais que eles, os jogadores, têm contas pra pagar, família pra sustentar, uma carreira, etc, etc. Sim, eu sei. Eu também tenho. E sou formado nas lutas socialistas e entendo perfeitamente aquele blábláblá de cartilhas ensebadas marxistas. Dou uma aulinha básica a qualquer bufão sobre mais-valia. Mas o que está em jogo não é formatação sindical muito menos a defesa de aparatos revolucionários esgotados em chapas de oposição chinfrins.

Estou falando da mentira difundida por jogadores que dizem que vão lutar até o fim.

Ou então que estes jogadores ficassem em casa. Ou fossem para aquele barzinho bacana, beber todas por mim, por nós. Que saíssem com as morenas, loiras e ruivas mais belas da última safra. Que validassem a curtição no último tonel de carvalho de um João Caminhante. Não teria problema algum. Nossa Senhora das Picas Encarnadas, a gente entenderia! Seríamos até solidários e certamente iríamos lá dar aquele abraço e nos confraternizaríamos com sua revolução.

Afinal, um time de futebol no país da bola daria resposta a dirigentes que faltassem com sua palavra. O tal Bom Senso F. C. teria o queixo caído por tamanha coragem.

Mas não! O time do Avaí manteve-se naquele discurso songa-monga de que jogava pelo presidente, pelo Héracles e pelo raios que os partam. Não, que fossem homens uma vez, coisa que não foram este ano, e confessassem:

– Jogamos por dinheiro. Se ele não veio, não jogamos.

Poderia ser nojento, mas seria digno. Portanto, não vou falar de derrota, de resultado de jogo, de esquema tático furado. Falo do entorno e do contexto. Da negação total em jogar bola. Da enganação, da falta de respeito mesmo que a situação já estivesse difícil. Não quero jogadores amadores defendendo a camisa do Avaí, ou que joguem por um prato de comida ou que se reúnam numa Kombi pra bater uma bolinha. Quero hombridade e vergonha na cara. E honestidade.

Este time do Avaí me lembra aquela história do chuchu. O chuchu é um fruto da família das cucurbitáceas, usado em saladas e ensopados, mas que não tem gosto, não fede, nem cheira. Certa vez um sujeito entrou num restaurante e pediu ao garçom o prato do dia. O sujeito, muito solícito, disse que havia chuchu ou nada. O freguês respondeu: “então me traga uma porção de nada, que pelo menos isso serve para alguma coisa”.

É isso o time do Avaí, uma porção de chuchu.

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