Conto de fadas

Era uma vez um time que enganou milhares de torcedores, dando esperanças de um acesso fabuloso, mas que se revelou, ao final, medroso, apático e descomprometido. Sim, não tenho problema algum de acusar este time do Avaí disso tudo. Se passei a temporada toda pedindo apoio, incentivando, me esgoelando para que a nação avaiana se fizesse mais presente, porque tínhamos (imaginava eu) um grupo de jogadores que precisavam de uma adesão mais significativa da torcida, tenho todo o direito de dizer que, na verdade, nunca mereceram este apoio.

Claro que a Série B ainda não acabou, porém se a matemática é madrinha a esperança é madrasta.

A bem da verdade, durante toda esta temporada, nunca tivemos um time. E sempre buscamos um conforto em algo que nunca existiu, a possibilidade de este grupo de jogadores conquistar algo. Foi um verdadeiro conto de fadas, uma pantomima muito bem ensaiada para nos cativar, e que o cenário revelou ser uma ópera-bufa. Evidentemente que a turma do “eu já sabia” está tendo orgasmos múltiplos. Nessa hora o “nunca acreditei” está sendo destilado em fogo brando.

Os quinze minutos finais deste jogo contra o Ceará me deixaram com tamanha indignação, que poucas e raras vezes havia sentido pelo meu time de coração. Pois ficou muito claro, ali, naquele momento para mim, o recado dado:

– Olha aqui, ó, nós até poderíamos, mas não queremos. Contentem-se com a série B.

Tudo bem, os manés irão dizer que é teoria da conspiração, que estou alucinado. Quem acompanha futebol há anos sabe do que falo.

Comprova-se, agora, que não existia pacto nenhum por presidente, por jogador contundido, por isso ou aquilo. O que existe é uma conformação por suas vaidades. Cada jogador achando que pode mais, mas esquecendo que um time de futebol é um coletivo e não um desfile de ostentações.

Citando meu amigo Gilberto Rateke Junior, os meninos continuam a ser meninos e o que mais importa, para eles, é gazear a aula. Estão sendo reprovados. Não por este jogo, não pela campanha, mas pela imaturidade, que será registrada na biografia de cada um. Se algum destes jogadores, com o acesso, poderia fechar um contrato com um clube grande do futebol brasileiro em 2014, se contentará em jogar em Bragança Paulista, Ijui, Lucas do Rio Verde, ou mesmo Acre ou Maranhão, uma vez que os grandes clubes não contratam fracassados.

A nós, à torcida, cabe remar mais um ano na série B e com prenúncio de nuvens negras e tornados cinzentos.

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