A casca de ovo cheia de pêlos

Às vezes a gente se perde nas palavras baseados naquela coisa de certo/errado, a tal da dicotomia cartesiana. Se é alto não é baixo, se é gordo não é magro. Nem sempre é assim e é exatamente por isso que a vida é tão diversificada. Todavia, isso gera conflitos e a agressividade em gestação todos os dias na sociedade parece ter afinidade com isso.

Faço esta analogia em razão das conversas de bastidores que pipocam após a derrota frustrante do Avaí diante da boa equipe do Verdão do Oeste de Santa Catarina.

A questão de atrasos no pagamento de prêmios parece estar sendo a desculpa apresentada para o fracasso do time, o que pode gerar desestímulo de alguma ordem num grupo de jogadores. Porém, se estabelecer categoricamente uma relação causal de efeito e admitir que, ah, por causa disso o time do Avaí não jogou diante da Chapecoense é pesado, é forçar demais a barra. Reconheço, porque acompanho o futebol desde o tempo de calças curtas, que o time da Chapecoense é o melhor que há por aí. E afirmo, sem medo de errar, que é melhor até que o do Palmeiras, uma vez que, para quem acompanha futebol sem rancores, temos bons times em Santa Catarina.

– Ah, mas são retranqueiros, faltosos, caneludos e duros!

Mentira! É que o nosso ranço bairrista acaba nos cegando.

Achar que, por causa da falta de “prêmios” o time não tenha jogado, e isso tenha sido a razão da derrota, põe por terra todo o trabalho da comissão técnica avaiana feito até agora. É procurar pêlo em ovo. Se não jogaram foi em função do desgaste, da natureza da campanha, do bom trabalho de treinamento efetivo que o treinador avaiano tem feito fora do campo e da própria postura do time da Chapecoense. Vamos separar as coisas.

Porque senão, a partir de agora, se é assim, convoquemos público zero e se abandone a campanha da série B rumo ao acesso. Vamos dar voz aos avestruzes que esconderam a cabeça no buraco e dizem que não é hora de subir. É isso? Ora, se o apequenamento se mantiver, se o pensamento é esse, fica feio apostar num time que jogue pelos seus direitos ou por um pouco mais de conforto. Que até ontem era chamado de guerreiros e que fazia coisas.

Deixemos os melindres de lado e não percamos para nós mesmos. Foi um jogo perdido para quem podíamos perder. O nosso campeonato ainda é outro.

Se eu acreditasse que os jogadores não jogaram por causa da premiação iria agora na secretaria do clube e entregava minha carteirinha. Não teria mais graça. Seria tansice de minha parte fazer papel de bobo. Houve uma situação, mas não dá para afirmar que tenha relação uma com a outra. Jogador de futebol é um profissional igual e talqualmente a qualquer outro, cujos respeitos são devidos. Nem são guerreiros e muito menos mercenários. Essa mania de endeusar jogadores ou execrá-los é que acaba confundindo as coisas.

Por favor, menas!

E se alguém não gostar de meus comentários esclareço num bom português: não escrevo para seguidores, mas para leitores que entendam o que são opiniões divergentes.

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