Desespero na Granja

Os bichos cricri da famosa granja Comigo Boi Não Dança (ou mais conhecida pelas iniciais CBN-D), a Raposa Felpuda, maledicente e ardilosa, o Sapo Duende, encrenqueiro e eterno inconformado, o Gambá Pretibranqui, com a cara e os pelos pintados de emoção, o Ratão do Banhado, que não deu certo em lugar algum e acabou dando na Granja e o Morcego Moicano, que posa de intelectual para fazer gênero, olhavam-se, um para o outro, com cara de paisagem.

– Por que vocês estão tão sérios? – perguntava o Sapo Duende – Estou preocupado com vocês, tá um silencio medonho aqui, ô.

– É que depois que a plantação de brócolis da Granja do Vizinho foi exterminada pela tobata do Leão Galego – explicou o Gambá  Pretibranqui – e o Capataz Capitão América foi mandado plantar coquinhos em outra Granja, a vida não tem mais graça pra gente.

– Não tem mais jeito – convenceu-se a Raposa Felpuda, ajeitando o cachecol. – Quebrou a máquina do carrossel que haviam construído lá na Granja do Vizinho.

– Mas as coisas são assim mesmo. Um dia do caçador e outro do Chapeuzinho Vermelho – tentava contemporizar o Sapo ajeitando a dentadura.

– Não vi graça na tua piada. – condenou a Raposa

– Tás é muito chato ultimamente. Vão acabar te chamando é de Raposa Pentelhuda – arrematou o Sapo.

– Rapazi, chegou aqui a informação que resolveram plantar um canavial de cana para a produção de álcool eclético, – explanou o Ratão do Banhado – aquele álcool que serve pra tudo. O nome do novo Capataz é Suplício Psicotrópico e trouxeram mais um jardineiro famoso de uma plantação de ervas no deserto árabe da Bahia, um tal de Zé Mohamed Al Kólatra Roberto.

– Mais um pra conta – esclareceu o Gambá.

– O problema é que estão comprando muita roupa em liquidação e depois esquecendo no guarda-roupa – decretou o Ratão.

– Ai, eu quero é um ANALgésico, porque a minha dor de cabeça é enorme – lamentou a Raposa.

– E neste ano a previsão de uma boa colheita de brócolis acabou. – sentenciou o Morcego Moicano. – Eles vão ficar pelo caminho.

– E agora estão nos esnobando também – comentou o Gambá. – Se não fosse por nós estariam sendo zoados todos os dias.

– Vão chamar o Cavalo Paraiso, aquele que comia o brócolis pela raiz? – quis saber o Sapo. – Só ele pra dar jeito, né? Tá mais feio que briga de pulga em cachorro magro no escuro, ô.

– E agora? Quem é que vai pintar o murinho da Granja de novo? – perguntou o Gambá. – O Rapaz que faz os letreiros nem tem mais vontade, dizem por aí.

– Só sei dizer que os títulos deles já estão sendo protestados é no cartório. – concluiu o Ratão.

– E sobre o Circo do Deba? – especulou o Morcego. – Alguém tem novidades?

– Coooorta pra mim! Cooooorta pra mim! – esbravejava a Raposa aos soluços.

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