Falam demais, pensam de menos

Na semana que passou um radialista de Itajaí denunciou que teria sido atacado pelo filho do presidente da Federação Catarinense de Futebol. Logo em seguida muita gente repercutiu, e xingou, ofendeu e detratou o sujeito autor das agressões. Era, a princípio, uma situação grave, da maneira como foi exposta. Porém, dias após, foi descoberto que a denúncia era uma mentira, uma fraude inventada pelo radialista, com propósitos os mais imagináveis possíveis. Tanto que o radialista foi demitido do órgão de imprensa para o qual trabalhava. E nenhum dos detratores do filho do presidente da FCF veio a público pedir desculpas por haver repercutido uma farsa. Um ou outro, claro, mas a imensa maioria se calou. De jornalistas, a blogueiros e fofoqueiros, poucos senões foram ouvidos.

Não sou simpático ao presidente da FCF. Não tenho nenhuma vontade de passar na mesma calçada que seu filho. Tenho todas as reservas possíveis a esses cidadãos. Não sou, também, moralista barato e muito menos adepto do politicamente correto. Mas eu penso, comigo, que ofensas gratuitas, acusações levianas e falta de postura, além da repercussão de fofocas não devem fazer parte do nosso dia a dia, partindo das fontes de notícias. E muito menos não reconhecer quando se erra. Sinto isso na pele todos os dias e as pessoas próximas a mim recebem “agrados e carinhos” gratuitos a todo instante. Tudo porque, quem acha que tem opinião não sente necessidade de respeitar a opinião contrária. E quando sua opinião não obtém o respaldo necessário, as armas seguintes são as agressões e ofensas disseminadas com o vento.

É hora de um basta em tudo isso.

Claro que o espaço em que deponho minhas opiniões é o de torcedor de futebol, onde se vê a emoção ser maior que a razão. Não queira, alguém, exigir de torcedores de arquibancada as discussões sobre as incongruências e vicissitudes da vida. Não é aqui. Eu não exijo. Mas também penso que o espaço da barbárie é o de torcida organizada agressiva, aquelas que usam da violência para dizer que seu clube de futebol é maior que os outros.

Os espaços usados por blogueiros, jornalistas e assemelhados não devem ser o de alguém que se senta na madrugada à frente de um teclado e dispare verbos e predicados a um alvo escolhido por seus interesses e gostos pessoais. Muito menos para repercutir fofocas.

Tem muita gente que speak too much. E ouvindo de menos.

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2 comentários sobre “Falam demais, pensam de menos

  1. Meu camarada Aguiar,

    Creio que tenhas razão nas tuas colocações, ao menos em tese, pelo resultado do negócio. Fui um dos que mencionou o fato, e para minha surpresa, acabou em demissão do radialista agredido. Quando publiquei a informação, e ao ouvir o Deu-fim pai na Guarujá, disse que uma operação “deixa disso” estava em curso, e que o presidente do M.Dias mencionou que houve apenas uma discussão.

    Como mencionei na BDA de hoje, se o radialista Zélio Prado efetivamente forjou a agressão, a demissão é mais do que justa. Ele conseguiu a solidariedade de seus pares em todos, nas rádios, jornais e televisão, e até no meu blog. Todavia, de longe, e conhecendo a região de Itajaí e Balneário Camboriú como poucos, me atrevo a dizer que o interessante Diarinho tomou uma medida para agradar ao “rei”, independente dos fatos…

    É inegável que o presidente da FCF goza de grande prestígio em SC, mormente em seu curral, onde é professor da Univali. Sua história de deputado caçado na época da ditadura culminou com um cargo de procurador na Assembléia Legislativa de SC, onde abocanha mais de R$24 mil mensal…

    Salvo engano, o pivô da discussão entre Deu-fim filho e o radialista foi em função de que o homem ligado a imprensa teria dito que o patrocínio do Chevettão 2013 teria sido apenas para a FCF e não para os clubes, no que ele está absolutamente correto. Fiz, ao longo da competição local, vários paralelos entre a FCF e de Goiás. Lá, efetivamente, a federação ajuda aos clubes. Aqui, o din-din do Chevettão vai para o bolso de quem?

    Além disso, se não houve a agressão propriamente dita, há dois fatos curiosos: 1) há um depoimento de um cinegrafista, que disse ter sido ameaçado e retirado de seu próprio carro pelo Deu-fim filho e seus capangas; 2) se não houve agressão, por que o cinegrafista foi obrigado a apagar parte das imagens, fato confirmado pelo próprio Deu-fim filho? Estranho, muito estranho…

    Em tese, concordo plenamente com teus comentários. Porém, pelas imagens que assisti, tenho certeza que há algo podre no ar, principalmente vindo do herdeiro briguento, com tendências marginais, e que não tem direito algum de interpelar alguém da imprensa sobre o que escreve ou deixa de escrever.

    Pelo que conheço de ti, respeitas as opiniões de quem quer que seja, ainda que contrárias…

    Saudações AvAiAnAs!

    André Tarnowsky Filho

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    • My friend, eu deixei bem claro que não sou moralista e muito menos politicamente correto. Odeio hipocrisia, sabes bem disso. E pra defensor do Deu-fim, do Deu-filho e o Deu-espírito santo passo ao largo. O que me incomoda são as ofensas gratuitas, seja pra quem for.
      Comprovado, sou o primeiro da fila a puxar a corda.
      Até porque, como se diz por aí, não se pode dar trela de graça pra essa gente, movido pelo piloto automático ligado.

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