Muda já, Maria!

Quando eu falo em mudar a postura tática do Avaí, adotando o velho 3-5-2, com cobertura ao avanço de nossos laterais e dispondo Eduardo Costa na zaga como um líbero, me baseio no perfil dos atletas que temos hoje no elenco. Não são piores e nem melhores do que os de qualquer outro time, apenas não estão sendo colocados nos devidos lugares e de alguns que se esperava bem mais, estão abaixo de qualquer expectativa.

Começamos o ano com Sergio Soares, que era uma boa contratação. É um treinador gabaritado.

Muita gente, até o pessoal da charutaria e os do carreteiro com pipoca, abriu largos sorrisos por essa contratação. Mas Sergio Soares cometeu erros infantis. Jogava com dois volantes em linha muito distantes da zaga, e com Eduardo Costa como segundo volante, cujo poder de recuperação já não é o mesmo de antes. Além disso, mantinha os laterais avançados, Arlan e Aelson, este antes da primeira contusão. Resultado: os atacantes adversários entravam pelas costas dos laterais, passavam fácil pela falta de cobertura dos volantes, e chegavam cara a cara nos zagueiros, fazendo o que bem entendessem.

Alef e Pablo, os caras que foram sacrificados, não eram zagueiros ruins, apenas não conseguiam chupar cana e assobiar. Em consequência, como havia um buraco no meio, pois sequer havia saída de bola, a armação dependia da lentidão de Marquinhos Santos que, coitado, tinha que vir buscar a bola e fornecer munição para o ataque lá na frente.

Quem assistiu à patrolada feita pela Chapecoense, lá em Xanxerê, e o primeiro tempo contra o Guarani, naqueles 3×3, percebeu bem isso. Mudou um ou outro jogador, mas a disposição tática foi mantida.

Saiu Sergio Soares e veio Ricardinho, que manteve a mesma disposição de falta de cobertura às laterais. Só que agora os volantes, Alê e Thiesen, jogavam mais avançados ainda e os buracos à frente da área ficaram maiores. Novamente os zagueiros foram sacrificados e o Avaí, mais uma vez, não decolava.

É bom saber que o Avaí só tem dois jogadores que jogam como segundos volantes no elenco, Ricardinho e Marrone, mas que nunca foram aproveitados na função. Jogam de laterais ou de falsos ponteiros, quando entram para tentar resolver alguma tropeçada, mas nunca numa função de chegada ao ataque, como é praxe desta posição. Como resultado, teve-se que improvisar o Rodrigo Thiesen, que é por característica um primeiro volante matador, como um homem de chegada, mas cujo passe é sofrível. Sobrou, então, para Cléber Santana resolver a parada e ser uma referência de armação, cuja temporada de 2013 está muito aquém daquilo que se esperava do que foi no ano passado.

Ricardinho contou com a entrada de Leandro Silva na zaga, cuja lesão no joelho acabou com a sua cintura. Explico: tempos atrás, costumava-se dizer que jogador sulamericano, quando enfrentava os zagueiros europeus, fazia uma festa, um salseiro medonho. Primeiro porque os latino-americanos sempre foram habilidosos e depois porque os europeus eram tidos como de cintura dura. Tomavam o drible e não se recuperavam. Leandro Silva, depois da lesão, ficou assim, de cintura dura, facilmente batido por qualquer um que lhe chame pra dançar.

Ricardinho foi embora, primeiro por ter sido engolido pelas manias dos mais velhos e, depois, por manter a mesma postura tática do técnico anterior.

E aí surgiu a possibilidade de Hémerson Maria voltar.

Metade mais uma das viúvas dele aclamaram esta situação. Afinal, a direção avaiana tinha se rendido à burrada de tê-lo demitido na temporada passada. Agora, sim, com HM, as coisas iriam mudar. Agora vai! (frases dos blogs babões por HM!).

Quando eu disse, no ano passado, que o presidente Zunino o havia demitido para preservá-lo, muita gente riu, zombou, fez beicinho, aumentou a taxa de idiotice nas fuças, mas a prova é isso aí.

Hémerson Maria é um sujeito ímpar. Uma figura humana exemplar, com um caráter admirável e às vezes até ingênuo. Um irmão ou amigo que todo mundo quer ter. Além disso, é inteligente, estudioso do futebol e com potencial enorme. E foi por isso que se preferiu preservá-lo. Por sua boa índole. Deixá-lo tomar porradas em clubes menores, aprender os macetes do futebol, não apenas a teoria, mas a prática. Não valeria à pena mantê-lo naquela série de fracassos que começou a ocorrer com ele no comando do time no ano passado.

A sua volta, assim, para assumir uma pedreira, vai antecipar etapas nessa faculdade de malucos que é ser técnico de futebol. Irá aprender na marra o que é mudar de convicção pra preservar emprego, por exemplo. Se mantiver a mesma postura, vai continuar perdendo. Se mudar de atitude, mesmo que perca, vai demonstrar que não pecou por omissão.

Porque, com as teorias que anda aplicando e com a falta de visão do perfil do elenco avaiano, continuando com as mesmas falhas dos técnicos anteriores, sem ter a humildade de perceber que há um erro de postura no time, será mais um a deixar a Ressacada pela porta do Departamento de Pessoal. E como eu não fico em cima do muro, pois assumo minha conduta, afirmo que a passagem de Hérmerson Maria no Avaí será curta.

Uma pena!

Tomara que eu erre. Adoraria, de coração, chegar aqui no fim do ano e dizer: não entendo nada de futebol.

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