Quando a bola rola… e o blogueiro não quer

O futebol é um troço inventado pelos humanos para fazê-lo sofrer.

Antigamente, era só uma brincadeira para fazer um balão de couro, de papel enrolado, de mantas enosadas, de madeira mole, ou mesmo crânio dos inimigos ir de um lado a outro, sem um destino fixo e sem qualquer organização. Não se ganhava e nem se perdia coisa alguma fazendo isso, apenas se divertia. Mas, em alguns viventes, dava nos nervos não traduzir em sucesso o seu esforço de correr de lado a outro e a pelota não ir para onde ele queria. Já havia, naqueles primórdios de competição com sacanagem e gozação, um sentimento de que alguém lá de cima não gostava de você.

O despreendimento coletivo de energia passou a ser chamado de futebol, quando se resolveu levar aquela desorganização a ter um sentido. Era preciso dar méritos a quem se esforçava, desde que levasse aquele objeto arredondado a um objetivo: a meta, ou the goal. E aí começou o sofrimento, pois alguém iria ser penalizado por não haver cumprido seus objetivos, que era levar o negocinho ao ponto final. E mesmo os vencedores sofriam, uma vez que os esforços eram sobre-humanos para poder vencer. Aí, então, surgiram as rezas, as mandigas, as místicas, as obscuridades, que são ferramentas também humanas para tentar fazer o esforço, as incompetências e o sofrimento serem atenuados. Ao menos, psicologicamente.

Nesse meio tempo iam surgindo legiões de assistentes daquele sofrimento sem sentido dos carregadores de pelota. E já não havia reconhecimento ou decepção por tentativas mal sucedidas, mas lamentos, agressividade ou êxtase pleno e completo quando um grupo simpático se saia derrotado ou vitorioso. Ou também em relação ao adversário. Nascia o torcedor de futebol, este tipo humano característico, sem eira nem beira, que nem sabe muito bem o que quer da vida, mas sabe para que grupo de carregadores de pelota ele torce.

Ao longo do tempo os assistentes do sofrimento foram se organizando. Já não eram apenas peças iludidas e rezadeiras a ficar nas laterais do campo onde a pelota era rolada. Eles já decidiam estratégias, apontavam defeitos, foram se tornado profundos conhecedores daquele divertimento-recreio-angustia e acabaram sendo capazes de dizer que eram dotados da capacidade em estabelecer o que era certo e o que era errado. Os assistentes do sofrimento agora eram peças importantes naquela atividade de rolar a bola e almejavam, inclusive, poder participar das decisões de quem organizava aquilo tudo.

Mas enquanto a bola rolava, enquanto os roladores sofriam e enquanto os assistentes opinavam, a coisa fluia do jeito certo e da maneira correta, cada qual na sua função. Foi só inventarem o computador, séculos mais tarde, e estabelecerem redes sociais, dando chances para se criarem blogs, que o caldo desandou. A partir daí, os blogueiros passaram a achar que sabiam mais do que todos e esculhambaram o negócio todo.

Nunca mais se fez futebol como antigamente, com graça, sofrimento, divertimento e empolgação. Agora, o que vale, é a palavra de blogueiros, principalmente os que acham que tem todas as respostas sem nem mesmo se saber quais são as perguntas.

Se o futebol atual não passar pelo crivo de um blogueiro, não terá mais sentido.

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