A hora da Paz

A data de 25 de julho de 1999 é lembrada por todos os avaianos como o assalto do século. Até aqueles avaianos simpatizantes, que apenas apreciam sem se envolver com o futebol, lembram desta data. Pois foi nesse dia que uma das maiores armações na história do futebol se fez presente no estádio Orlando Scarpelli, o estádio do Figueirense Futebol Clube.

Não vou entrar em detalhes históricos sobre o jogo e os acontecimetnos principais. Todo mundo nesta cidade já está careca de saber o que aconteceu naquele dia. Lembrar de torcedores avaianos sendo pisoteados e apedrejados, de crianças sendo empurradas e derrubadas, de mulheres e jovens levando gás de pimenta nos olhos, de uma tropa de choque da PM despreparada e da cavalaria nos tratando como marginais não vale à pena. Ficará na memória o amargo daquele dia.

Até hoje tenho munição contra a PM de SC, pela conduta deplorável. Da Federação do Delfim, que preparou aquela farsa. Da arbitragem tendenciosa e mentirosa, que armou um circo. E da rede famosa, que promoveu a palhaçada e depois se calou, como se o que houve fosse um convescote regado à água mineral e croquetes. Aquela ópera-bufa foi uma vergonha para o futebol e para Santa Catarina.

Mas eu não guardo mágoas dos torcedores alvinegros. De forma alguma eu os declaro culpados por aquilo. Foram tão envolvidos como nós. Apreciaram o espetáculo dantesco sem se dar conta da obra que se executava naquele dia. Comemoraram e fizeram o que lhes cabia. Embora alguns animais tenham ferido crianças e senhoras torcedoras, com as pedras da iniquidade, a torcida deles, como um todo, também foi levada de rodo.

Por isso, não considero a torcida alvinegra como nossos arqui-rivais. E nem acho que se deva preparar uma espécie de revanche para esta final. Não alimento esse ódio que se instalou. Não considero que tenha havido uma ruptura e que, dali por diante, tenhamos nos segregado, cada torcida em seu canto, em seus guetos, dividindo a cidade ao meio. Fazemos parte da mesma cidade, frequentamos os mesmos restaurantes, os mesmos bares, as mesmas festas, andamos nas mesmas ruas, vamos às mesmas praças e nadamos nas mesmas praias. Nossos gostos culturais são semelhantes e nossas aspirações andam lado a lado.

Criei o termo doladelá como forma de dizer que há outra opção, diferente da minha.

Temos parentes, amigos e amantes que torcem para ambos os clubes e nossas famílias se completam e se misturam com as duas torcidas. Portanto, antes de nos lembrarmos do momento ruim que foi aquela decisão e nutrirmos algum ódio ressentido, devemos patrocinar uma comunhão de valores de ideais conjuntos.

Nas veias de avaianos e alvinegros correm o mesmo sangue, o sangue de florianopolitanos. Ambos divergimos apenas da cor da camisa que suamos.

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4 comentários sobre “A hora da Paz

  1. Ainda lembro da época do campo da liga onde as torcidas ficavam lado a lado.
    Hj evito de ir aos jogos com a camisa do meu time, no Scarpelli assistir jogo do Avaí não vou desde 1999 e com algumas pessoas não falo sobre futebol pq não vale a pena.

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  2. Aguiar, belo texto… eu por exemplo sou casado com uma torcedora do time “doladodelá” , mas confesso que as vezes sinto falta dela na ressacada, pois ela se nega a ir a jogos do Avaí. Mas, nem tudo é perfeito, só esperamos que não haja violência, que a polícia nos dias atuais esteja mais preparada, até porque hoje utilizam muito mais da inteligência do que da força, acredito que será dois clássicos muito bons. Abs.

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