Uma realidade dura de doer

Nunes chegou ao Avaí com a fama de matador. Quem acompanhou de pertinho a série B, como nós, sabe de nosso sonho de consumo antigo por um artilheiro daqueles. Quando assisti a um jogo do Davi por aqui, me encantei com aquele futebol de primeiríssima qualidade e logo pensei num bom companheiro para o Galego. E a coisa tem funcionado bem assim. Vemos um jogo, uma ou duas partidas, uma jogada espetacular, e já nos consideramos aptos a servir de olheiros para que se contrate este ou aquele jogador.

É constante se ver ou ouvir listas de jogadores “que vi jogar” e já achar que se encaixa perfeitamente no nosso time.

– Pô, o Zezinho do Madrugadinha é a cara do Avaí.

– No time do Cocadinha tem um lateral esquerdo que cai como uma luva no nosso time.

– O Avaí precisa de dois jogadores assim, assado, para esta ou aquela posição. Ali, no Reserva Encantada, tem dois sujeitos que podem fazer a diferença por aqui.

Quem já não deu pitacos assim? Quem já não se achou agente FIFA a indicar jogadores. E o pior não é isso, mas aquelas incompreensões de não se entender como Avaí não contratou os jogadores que o fulano sugeriu.

– É tão fácil, está ali, dando sopa.

Não, não está. E digo mais: no futebol atual não se contrata por ver jogar, mas por critérios que colocam na balança um contrato futuro, os “estepes” que vêm junto ao titular, o que cabe ao patrocinador para que a sua imagem esteja associada ao novo jogador, o valor das multas rescisórias, onde ele pode ser encaixado quando for vendido ou emprestado e por aí vai.

No tempo em que se amarrava gato com varal de roupa era bem provável que o próprio presidente do clube ia ali no Canto do Rio ou no Avante, assistisse a uma partida num Sábado à tarde e trouxesse um zagueiro e um lateral na bagagem. Hoje, isso é impensável. Não que lá não existam bons jogadores, mas não funciona desse jeito. Não se contratam mais jogadores por capacidade técnica, mas por acordos de bastidores.

Os caras que acham que podem fazer melhor do que isso e que criticam as estruturas atuais não duram uma semana num Marcilio Dias da vida. Que dirá num Avaí ou no time doladelá. Lamento, mas o futebol, hoje, é assim.

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