O do vizinho é melhor

Está sendo bem lembrado pela mídia, por se importar com um único time, o quanto o Avaí mudou sua postura e seu padrão de jogo. Seriam preocupações para uma possível (e bem possível) derrota de seu amado time nas finais do Delfinzão? Até aquele habitual cricri, que usa sapatos brancos, já afirma que o Avaí é um dos favoritos, embora nunca esqueça seu trem pagador, evidentemente.

Eu, com todos os meus humildes conhecimentos de futebol, vejo algo diferente. Não foi o futebol em si que mudou, mas a auto-confiança do time. Isso faz a bola fluir com mais calma, as cobranças vem mais paciência, o gramado vira tapete e o gol se alarga. O jogo que serviu de parâmetro para tudo isso foi o clássico. E nos dois turnos.

No primeiro turno vínhamos de algumas vitórias, o time era líder, mas jogava amarrado, embora em competições como a nossa isso não faça a menor diferença. Contudo, ficará na história do campeonato, nas estatísticas, que o Avaí ganhara três partidas seguidas e houvera aplicado uma goleada às vésperas do clássico. O qual perdeu.

Isso determinou uma queda de auto-estima em todo mundo. Os torcedores habituais amarraram a cara, os modinhas foram se afastando, os pijamas desligaram a TV e os céus ficaram mais negros sobre a Ressacada. Os jogadores, por sua vez, montaram cada qual o seu gueto. Claro que alguma parte da culpa coube ao ex-treinador, o Ovelha. Com seu jeito turrão e xucro de ser não conseguiu verter lágrimas sobre a vergonha do time. Ele não é de passar a mãozinha na cabeça de ninguém. Os vestiários da Ressacada ecoaram berros e esporros ao invés de um conforto aos corações boleiros. O resultado?

Com o segundo turno, os perrengues apenas aumentaram. E aí veio a queda total e absoluta diante do Real Madrid de Cambuca, fato que determinou o tosquiamento completo do Ovelha, cuja pele já ia aparecendo por baixo da lã em doses homeopáticas.

Surgiu, então, nesse universo maluco, o sujeito que entende um pouco mais de estratégia, expressa o manesês e atende a todos, com fala mansa e respeitosa. A goleada sobre o Marcílio, assistida por quem não usa pijamas, não foi o divisor de águas dessa auto-estima reprimida. Ali o time jogou como lá em Marcílio Itajai, no 1º. Turno. O que mudou a cara de todo mundo, fazendo esse pessoal que usa camisas listradas azuis e brancas mesmo no chuveiro sorrir até as orelhas, foi a boa partida contra o seu rival. Nada como um clássico para mudar tudo, né, guri?

Ali, naquele momento, decretamos que seríamos campeões de fato. O resto? Bom, o resto todo mundo já sabe, nessa ópera louca na Ressacada, com direito a enredos escalafobéticos.

Sou cada vez mais partidário da tese do conselheiro Décio Sarda: continuamos, mediocremente, olhando para o lado do vizinho para definir nossas vidas. Então, toma!

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