Bizarrices existenciais

Há algumas pessoas ofendidinhas comigo por causa da história de convocação de público para a Ressacada. Estão incomodados porque estou remexendo nesse troço. Não estou relaxando. Olha, em primeiro lugar, não fui eu quem convocou público zero, aquela coisa bizarra de não ir para o estádio como forma de protestar contra o Zunino, ou contra o time que ele montou. E, depois, não estou agora reconvocando a torcida porque o time ganhou e precisa de nós. Isso significa dizer que se perdemos para o JEC vamos pedir à torcida que não apóie o time nas próximas partidas? É assim, é por jogo a mobilização?

Quero dizer que isso, toda a situação, desde o tal protesto ao mimimi de agora é muito hilário. Se um dia eu contar para os meus netos, eles vão rolar de rir de tudo isso, que é o que eu estou fazendo agora. E sabe por que? Porque ninguém, nenhum torcedor sustenta protesto. Torcedor de futebol é passional e se mobiliza por resultados, é assim que funciona. Fazer convocações melosas e melodramáticas, como aqueles famosos vídeos com produção de novela mexicana, ou convocar o esvaziamento de estádio são coisas tão patéticas, que geram este tipo de piada.

Ora, cada qual assuma suas responsabilidades, sabendo que isso pode gerar desconforto para um lado ou para outro. Toda atitude que tomamos reflete em alguma coisa. Vivemos numa comunidade, mas não queiram que seus atos particulares sejam unânimes. Portanto, embora uma torcida encha um estádio, o torcedor é um ser solitário. Ele torce para satisfazer as suas carências existenciais e procura no que está ao lado o apoio para sua emoção. Mas é ele quem decide ou não as suas necessidades, e é o único responsável por seus atos. Qualquer forma de convocação ou desconvocação coletiva, portanto, é uma pantomima.

As pessoas ficaram com raiva daquele jogo de Camboriu e apelaram para o extremo. Raivinha a gente cura ou com um belo porre, ou com uma boa sessão de amor, não necessariamente nessa ordem.

De minha parte, como torcedor de um time de futebol, quero sempre que a torcida esteja no estádio apoiando os jogadores, independente se isso agrade ou não. Mas sei que isso é limitado ao extremo. Não sejamos pretensiosos a esse ponto.

A mobilização de uma torcida depende dos momentos, que se tornam coletivos quando há um objetivo comum. Um treino para uma decisão, uma partida decisiva, uma campanha vitoriosa ou a disputa de um título. Mas querer transformar esta mobilização emotiva em plataforma política é… deixa pra lá.

Não fiquem chateados, não, meninos e meninas. Isso passa, viu. Quando o Avaí ganhar o título todos vão chorar de emoção e se abraçar. E se perder, vão gritar de raiva e virar a caras. De qualquer forma, o sol vai continuar a surgir todos os dias sobre nossas cabeças.

Ai, ai, o que não faz um clássico, hein?

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