Depois dos fantasmas ainda restam os quero-queros

Após aquele jogo contra o Marinheiro Popeye, quando se conseguiu abrir sorrisos num campeonato em que todos os quesitos para se jogar futebol foram abandonados, dei uma olhada rápida para a Ressacada e me deparei com um estádio-fantasma. Lembrei, imediatamente, daqueles filmes de faroeste, onde na cidade, abandonada pelos seus habitantes, correm feixes de capim levantados pelo vento e só um sussurro é ouvido.

Pois a Ressacada, jogo após jogo, está virando isso: um local habitado por fantasmas. As bruxas responsáveis por isso, que se caçam, todo mundo já sabe quem são e não vou ficar levantar isso de novo.

Antigamente havia as filas tanto para se chegar ao estádio como para sair. Mas aquele tormento que nos motivou a “elogiar” nossos administradores públicos deixou de existir. Por incrível que pareça não há mais filas e estou até inclinado a pedir ao “prefeito incompetente” que desmonte o tal elevado e abandone a duplicação daquela rodovia. Não será mais necessário. Pelo menos para os avaianos.

No passado, também, havia uma torcida ali. Havia aquele frisson, “uma alma” de uma torcida fanática, vibrante, capaz de mudar resultados de jogos encardidos e complicados. Era uma emoção absurda assistir à torcida do Leão naqueles tempos. Em algumas vezes, ela deu mais espetáculo que o próprio time em campo. O estádio da Ressacada já foi considerado um caldeirão pela mídia nacional (só a nacional, ressalte-se!) por essa manifestação alucinada dos apaixonados azzuras. Hoje, apenas alguns ciclotímicos e teimosos, que pagam uma mensalidade exorbitante, vão para lá bocejar. Até o batuque da mais famosa organizada parece marcha fúnebre.

Havia, ainda, futebol jogado naquele campo. Campo, não, Tapete Mágico! Pois por aquele tapete mágico rolaram bolas em jogadas mirabolantes, extraordinárias. Verteram-se sobre ele suores, sangue e lágrimas em partidas apoteóticas, em lances primorosos, em gols apoleônicos, alguns dos quais ainda insistem em permanecer em nossas retinas. Agora vê-se partidas de tênis, cujas bolas são lançadas para lá e para cá ou, ainda, maratonas, onde o lance de letra, o passe açucarado deu lugar à correria. Futebol que é bom….

Tínhamos uma diretoria. Hoje, os homens que comandam o Avaí nem mais se dignam a esbravejar contra a mídia maldosa e conivente, aquela do cafezinho das 2as. Feiras, não tem?, tampouco contra os arranjos da Federação. Esforçaram-se, confortavelmente, na tarefa de fazer um Avaí moderno e vigoroso, mas esqueceram de convidar a torcida para isso. E a torcida avaiana, por sua vez, que não é acostumada a ficar calada, cansada de ser iludida preferiu sair a se manter silenciosamente no estádio. Time sem torcida é o mesmo que fazer sexo com 3 preservativos e mais um lenço enrolado no “elemento”: você até chega lá, é até o 1º. colocado, pode ser o campeão, mas jamais será elogiado. Ninguém sente nada!

É preciso, portanto, exorcizar os fantasmas.

É preciso dizer que Marquinhos, Batoré e outros foram embora, esse é o primeiro passo. E que o Avaí nunca será um Barcelona, por mais que se sonhe.

É preciso compreender que os torcedores que sobraram tem que inventar uma nova forma de torcer, sem sustos ou medos.

É preciso que uma farmácia seja aberta, também, na Ressacada, ao invés de um bar, para que os restantes torcedores tomem calmantes antes dos jogos, por que vaiar aquecimento também é o elementar da tolice.

É preciso que se jogue futebol, com bola de pé em pé, com coragem, com vontade de vencer uma partida, com o atacante querendo fazer gols, com um meia criativo “criando” jogadas. Não queremos carrinhos, chutões e correrias. Queremos, apenas, futebol. Simples e sem complicações.

Do contrário, os fantasmas que ainda restam farão companhia aos quero-queros. E, no final, sobrarão apenas os quero-queros.

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4 comentários sobre “Depois dos fantasmas ainda restam os quero-queros

  1. Gostaria de assinar concordando com o post desde que pudesse constar duas ressalvas, se me permites:
    1) O Avaí jamais será o Barcelona. Mas pode sim, por que não, um dia ser um time de tamanho o catalão, por que não? Costumo, mesmo que com os pés no chão, sonhar grande!
    2) Esse meia jamais poderá ser o Robinho!
    Abraços!

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