Torcer, não amor e ódio

A expectativa que se criou em relação à permanência do presidente Zunino está tomando dimensões estranhas, dignas de novela venezuelana. Já vejo gente torcendo contra, querendo que o time perca por puro ódio, para que o presidente seja defenestrado logo e o sofrimento da torcida se vá.

Isso é um sentimento esquisito. Perigoso. E egoísta. Não condiz com um bom avaiano. Um avaiano nunca desiste.

Há gente querendo resolver sua própria angustia, seu desencanto. Sofre do mal da falta de paciência.

Olha, não é preciso ser muito inteligente – ser uma porta já serve – para perceber que as coisas vão mal. Aliás, de mal a pior. O ridículo dessa campanha do Avaí dá-se por uma série de circunstâncias, algumas delas independentes da vontade do presidente, do roupeiro, e até do Miguelito (embora ele faça uma força danada para que tudo dê errado).

Podíamos estar confortavelmente deitados numa rede, tomando uma aguinha de côco para amenizar o calor deste mês de Março satânico, sendo levemente abanados por uma passista de escola de samba e esperando os outros se acabarem para disputar o título conosco. Mas não estamos assim. E temos que jogar duramente para conseguir um lugar ao Sol (ou à sombra). Futebol é assim. Se alguém desse garantia de que um outro presidente no lugar do Zunino faria muito melhor eu o chamaria de louco varrido, pois essa garantia não existe. E não é por ser seu puxa-saco ou ter uma Ferrari na garagem em pagamento aos serviços prestados aqui neste blog. É porque as coisas na vida seguem as contingências.

Dinheiro, nós temos pro gasto, planejamento, dizem que tem, estamos com um elenco de jogadores esforçados o suficiente para disputar um estadual chinfrim como este. E o técnico tem renome estadual, sim, senhor, não é um Zé ruela qualquer. E a campanha, vamu combiná, não é assim uma Panasonic, mas pra um Camburiu a gente não serve. Bastam alguns acertos e a coisa flui. Futebol é assim. Não adianta se descabelar, rasgar as calcinhas, jogar o batom pela janela porque bastam os resultados começarem a aparecer que tudo isso muda. Os caras que estão agora torcendo para o time perder serão os mesmos que vão entornar caixas de Brahma num jogo da final. E vão chorar, pular e bater no peito que são avaianos até morrer. Eu já vi essa histórinha repetida mil vezes.

Há um ódio instalado, assumindo proporções patológicas, que eu acredito ser desnecessário. A propósito, diga-se, nem ódio absoluto e nem amor incondicional servem para times de futebol, pois os resultados fazem as emoções mudaram do domingo para a segunda-feira. Eu amo os meus filhos e minha esposa, isso sim. E o meu clube. Mas os jogadores a gente aplaude e torce para que saiam vencedores, sem nenhuma contra-partida. Até porque, no final da temporada, vão todos embora a gente fica aqui com cara de tanso, a sonhar com os “nossos craques” e com o “nosso treinador”.

Sem essa de ódio ou amor! Eu apenas torço para o time, para os camaradas que vestem a nossa camisa, sejam eles quais forem. Torço para que o Ovelha ache um time, que o Capinambá faça seus gols, que até o Neilson, se entrar, arrebente. Até para o Robinho eu torço (ainda que para ele já me faltem os cabelos). Eu quero é que dê tudo certo e não essa ranzinzisse de apostar no pior pra ver se melhora.

Afinal, eu quero é um título e não um nome de jogador na camisa pra lamber ou idolatrar.

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4 comentários sobre “Torcer, não amor e ódio

  1. Meu caro Aguiar, também estou assustado. Não é que, até treinamento com portões fechado está sendo criticado. E não é pela imprensa e sim pelos blogueiros avaianos. Não é que por um jogador ter twuitado que foi titular a diretoria é incompetente? Nunca havia visto isto em minha vida. Me lembro de um certo presidente do CD, assistindo no camarote da diretoria um jogo da série B, ficou com um vasto sorriso na derrota do Avai para o America RN. São essas pessoas que fazem questão do quanto pior, melhor. Assim se esquecem que em 97 o Avai foi rebaixado para a série B do catarinense.Precisamos nos lembrar quem eram o presidente administrativo e do CD. Só, que a torcida, por não haver ainda uma internet, como a de hoje, não ficava intisicando com o presidente. Se o Zunino eu fosse, iria a passeata e perguntando que iria assumir, entregaria o pedido de renuncia, só para ver como é que fica. Querer piorar não é o melhor para os torcedores e o miguelito?
    abs
    décio.

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    • Mas eu já disse pra ele.
      – Dr. Zunino, quem sabe dá um tempo nisso tudo? Não precisa ouvir estas bobagens.
      Mas ele não larga, fazer o quê. Tenho certeza que uma semana depois os mesmos irão pedir sua volta e os caras que puxaram o tapete dele viriam a público pedir desculpas, ou seriam escorraçados pelos mesmos justiceiros de agora.
      O pior de tudo, Décio, não são os oportunistas de quem tenho pena. Estes já estão encaminhados. Lamento é que tem gente boa nesse meio, de boa índole, bom caráter, que está sendo levada pela Lei de Miguel e nem sabe a merda que está fazendo.
      Deixa estar, Décio, um dia depois do outro. Quem eu levo pela mão são meus filhos.

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  2. Comentei no blog do Assis justamente isso. Não acho que é caso de “fora Zunino”, mas de “ajeita a casa, Zunino”. Tirar as laranjas podres, trazer uns caras bons, profis (tipo Renan e Chico Lins, que deram certo onde passaram). O risco do “fora Zunino” é ter que passar o chapéu pela torcida pra arranjar dindim pra comprar jogador (falando bem simploriamente, mas é fato – futebol é feito assim, infelizmente). Aí quero ver a turma ajudar o Avaí. Aí quero ver. Abraço.

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