Mentalidade fértil

Naturalmente, quando nos deparamos com uma situação insólita, incomum, vêm-nos o conceito de que algo de muito estranho e misterioso está por detrás daquilo.  Porém, exceto quando a circunstância é evidente e não cabe senões, na maioria das vezes essa sensação de “curioso” não suporta um raciocínio mais apurado. Montamos os espantalhos até para uma proteção natural, mas os desmontamos quando isso se esvai numa análise mais simplesinha.

Mas há quem mantenha essa estrutura de pensamento até o extremo: e a tal de teoria da conspiração, tão comum para os medíocres como em mentes férteis e adubadas de ideias.

A última conspiração montada por aqui diz respeito ao caso do jogador Gilmar, recentemente dispensado pelo Avaí por se achar mais jogador do que os outros. Está sendo alimentada a lenda de que foi tudo armado. Que nada daquilo que foi dito e aconteceu é a verdade, que o Avaí se beneficiou disso tudo.

Analise a situação.

Segundo o pensamento que escorre por aí, o Avaí contratou um jogador mediano, que estava encostado por supostos problemas de saúde, e pretendeu recuperá-lo, haja vista que seu passado o credenciava a atuar na Ressacada. Até aí nada demais. Ora, o Sul da Ilha, segundo os caras que gostam muito do Avaí, é o porto de jogadores ruins (bagaceiras, como diz aquele cidadão) e nada mais justo que tivesse outro assim, de acordo com a concepção vigente.

A montagem da história diz que o referido jogador, de temperamento arredio, começou a minar o grupo de jogadores, e a comissão técnica viu que estava armando uma bomba de efeito retardado. Poderia comprometer todo o seu trabalho, portanto. Resolveu-se, então, dispensá-lo, mas de maneira sutil e sem traumas. Como fazer?

Agora vem a cereja do bolo. Combinaram com o jogador um lance teatral, onde ele deveria parecer se indispor com o técnico, criar um incômodo com a torcida e com a mídia, enfrentar o próprio treinador no vestiário, ofender aos outros companheiros com palavreado chulo e desrespeitar a camisa do Avaí. Tudo combinado, tudo montado num script hollywoodiano. Feito isso, estaria enquadrado a receber uma punição severa, que motivasse a direção ao extremo, uma dispensa sem dó nem piedade, que era para passar a idéia de correção de rota. Tirava-se uma laranja podre, a concepção de austeridade seria mantida e o Avaí ainda faria um bom negócio, revendendo o jogador para um outro clube. E todos sairiam ganhando.

E eu pensei que adubo só houvesse em hortas, mas pelo visto muitas mentes por aí estão abarrotadas de fertilidade.

Tem gente perdendo tempo por aqui. Recomendo mandar o currículo para a Globo ou até mesmo para os grandes estúdios de cinema, pois pelo que sei estão precisando de roteiristas por lá.

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2 comentários sobre “Mentalidade fértil

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