Quando ela é bonita

Sintetizo, neste texto, toda a minha admiração e respeito pelas mulheres, e em minha esposinha, o símbolo de meu carinho por elas.

Quando é que uma mulher é realmente bonita? No momento em que sai do cabeleireiro? Quando está numa festa? Quando posa para uma foto, numa passarela, para uma revista? Clic, clic, clic! Sorriso amarelo, postura artificial, desempenho para o público. Bonitas mesmo são quando ninguém as está vendo.

Atirada no sofá, com uma calça de ficar em casa, uma blusa faltando um botão, as pernas enroscadas uma na outra, o cabelo caindo de qualquer jeito pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom resistiu ou não à longa passagem do dia. Um livro nas mãos, o olhar perdido dentro de tantas palavras, um ar de descoberta no rosto. Exuberante. Linda.

Caminhando pela rua, sol escaldante, a manga da blusa arregaçada, a nuca ardendo, o cabelo sendo erguido num coque malfeito, um ar de desaprovação pelo atraso do ônibus, centenas de pessoas cruzando-se e ninguém enxergando ninguém, ela enxuga a testa com a palma da mão, ajeita a sobrancelha com os dedos. Maravilhosa. Perfeita.

Saindo do banho, a toalha abandonada no chão, o corpo ainda úmido, as mãos desembaçando o espelho, creme hidratante nas pernas, desodorante, um último minuto de relaxamento, há um dia inteiro pra percorrer e assim que a porta do banheiro for aberta já não será mais dona de si mesma. Escovar os dentes, cuspir, enxugar a boca, respirar fundo. Fantástica. Espetacular.

Dentro do teatro, as luzes apagadas, o riso solto, escancarado, as mãos aplaudindo em cena aberta, sem comandos, seu tronco deslocando-se ligeiramente pra frente quando uma fala surpreende, gargalhada que não se constrange, não obedece à adequação, gengiva à mostra, seu ombro encostado no ombro ao lado, ambos voltados pra frente, a mão tapando a boca num breve acesso de timidez por tanta alegria. Um sonho. Um desejo.

O carro estacionado às pressas numa rua desconhecida, uma necessidade urgente de chorar por causa de uma música ou de uma lembrança, a cabeça jogada sobre o volante, as lágrimas quentes, fartas, um lenço de papel catado na bolsa, o nariz sendo assoado, os dedos limpando as pálpebras, o retrovisor acusando os olhos vermelhos e mesmo assim servindo de amparo, “estou aqui com você, só eu estou te vendo”. Sublime. Encantadora.

As mulheres são bonitas sendo naturalmente mulheres. Não importam os quilos, a altura, as tpms, a pele perdendo a elasticidade, as lágrimas vertendo-se sem controle, pois é assim que são belas, preocupadas em tornarem-se bonitas. E a vida lhes agradece a preocupação com a forma e a perfeição. Mas, acima de tudo, em serem mulheres.

Parabéns, companheiras de nossas vidas.

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2 comentários sobre “Quando ela é bonita

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